10 de agosto de 2014

Lançamentos Musicais - Primeiro Semestre 2014

Shakira - Shakira

No novo trabalho da cantora colombiana é fácil perceber os momentos de Shakira apaixonada e inspirada e aquelas faixas que parecem ter entrado só para cumprir tabela. Da parte mais pessoal, o relacionamento com Piqué é o tema central, como fica evidente nas boas 'Broken Record' e '23', em que é possível até ouvir o riso de Milan, filho do casal. Como não poderia faltar, ainda temos momentos mais agitados, com a ótima (e quase esquecida) Chasing Shadows e o primeiro single, o dueto sensual com Rihanna, Can't Remember to Forget You, que apesar de não ter feito o sucesso esperado, figura como um das melhores faixas do álbum. Como a própria cantora admitiu ter se envolvido menos na produção musical dessa vez, fica a impressão de que várias faixas poderiam estar na voz de qualquer pop-princess e alguns momentos parecem sobras de outros trabalhos. Menos redondinho que o álbum anterior, Shakira tem boas músicas encobertas por produções sem personalidade, um pecado quando se trata da cantora colombiana mais querida do pop. 

Fernanda Takai - Na Medida do Impossível 

O novo álbum de Fernanda Takai merece destaque por não se parecer com os trabalhos do Pato Fu nem com o projeto anterior da cantora, com a releitura da obra de Nara Leão. Na Medida do Impossível, entretanto, está longe de ser uma ruptura: o estilo doce de Takai está presente nas 13 faixas do novo projeto e serve de fio condutor do trabalho, em que a cantora visita diferente estilos musicais. Seu Tipo, parceira com Pitty, é charmosa, enquanto A Pobreza (Paixão Proibida) ganha ares dramáticos para contar sobre um amor proibido. Outras parcerias também rendem bons momentos, indo de  Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme com Zélia Duncan, passando pela bela Pra Curar Essa Dor com Samuel Rosa e até uma parceria inusitada com o Padre Fábio de Melo. Suave a agradável de escutar, Na Medida do Impossível, é um daqueles álbuns para deixar tocando e acompanhar a viagem musical de Takai, sem grandes variações ou surpresas. 

Silva - Vista Pro Mar

Depois de uma estreia aclamada, Silva passou rapidamente de 'relevação' para 'nova promessa da MPB'. Diante de tanta pressão, o cantor capixaba apresenta o segundo trabalho, Vista Pro Mar e firma seu posto na música brasileira, com canções 'ensolaradas' e bem produzidas. Menos variado que o ótimo Claridão, Vista Pro Mar é também e menos pop que o antecessor. A impressão que em busca de uma unidade sonora, algumas músicas acabam passando desapercebidas e demora para o álbum fixar na memória. O destaque continuam sendo as boas letras do cantor capixaba e a produção elaborada, longe do pop fácil das 'mais pedidas'. O destaque vai para o dueto com Fernanda Takai na ótima Okinawa.  

Lana del Rey - Ultraviolence

A musa dos clipes com filtros do Instagram passa pela prova do segundo álbum com seu Ultraviolence e prefere seguir a máxima de não mudar o time que está ganhando. Com um produção mais elaborada que Born to Die, o charme blasé de Lana, com sua voz sussurrada, continua sendo explorado ao máximo em músicas com sonoridade retrô como The Other Woman, Black Beautiful e o primeiro single West Coast, que já se afasta da imagem colorida de Katy Perry e demonstra essa evolução musical de Lana, contribuição de Dan Auerbach, do BlackKeys. Ultraviolence não mudará a opinião de quem acha Lana forçada ou tediosa, nem dos fãs que a veneram como uma musa, mas prova que a cantora encontrou seu nicho, estilo e sabe trabalhar muito bem dentro da sua proposta. 

8 de junho de 2014

True Blood - O que esperar da última temporada?

Após mais de sete anos, True Blood começará sua temporada final e, se por um lado a série já não está mais entre as mais populares do momento, por outro, ainda figura como uma das maiores audiências da HBO (apesar das quedas nas últimas temporadas) e deixou marcas na cultura pop, como uma das produções mais sensuais da atualidade e o retorno das histórias adultas com vampiros, mais próximos das criações de Anne Rice que Stephenie Meyer. 

Quando estreou, o conceito da série era bem interessante: com a criação de um sangue artificial, os vampiros revelaram-se e passaram a viver em sociedade, aprendendo a lidar com relacionamento entre mortais, disputas de poder e grupos de humanos que os caçavam (muitas vezes utilizando argumentos religiosos). Na série, os vampiros eram como um grupo de minoria, com uma diferença: o poder e sabedoria de séculos de existência. 

Em uma época em que a moda eram os jovens vampiros veganos, True Blood trouxe de volta o vampiro perigoso, poderoso e extramente sedutor, respeitando as regras ‘tradicionais’, como queimar na luz do Sol, precisar de sangue humano ou morrer com uma estaca no peito. 

A produção foi beneficiada com a fotografia elaborada e a direção de arte que se esforça em enfatizar o Sul dos Estados Unidos como um ambiente agressivo, dando a sensação de que estava sempre muito quente, úmido e, por isso, os personagens deveriam permanecer com pouca roupa a maior parte do tempo. O principal destaque, entretanto, não era nem a parte técnica, mas o elenco afiado e personagens carismáticos, como o cozinheiro travesti, a vampira recém-criada Jéssica ou a irônica Pan, um destaque que foi crescendo ao longo da trama sem perder seu mau humor habital e comentários pertinentes. Como triângulos amoroso rendem bons conflitos, True Blood também teve seus momentos, com a protagonista Sookie dividia entre o aparentemente bom-vampiro Bill e o ameaçador Eric, um dos queridinhos do público. 


É uma pena que esses bons elementos foram dando destaque à tramas paralelas que não acrescentavam nada à história ou resultavam em uma reviravolta que não condizia com o desenvolvimento das personagens, soando como tentativas forçadas em manter a atenção do espectador. Outro exagero foram os seres fantásticos em cena: em determinado momento, estávamos com uma quantidade enorme de vampiros, fadas, bruxas, metamorfos, lobisomens e até uma mênade disputando nossa atenção. Com os anos, True Blood revelou-se uma série com altos e baixos no roteiro, especialmente com a saída do produtor Alan Ball na quinta temporada, de longe a menos interessante.

Na sexta temporada, alguns elementos pareceram voltar aos eixos e prepararam caminho para uma última temporada intensa, novamente focada nos vampiros e sem tantas reviravoltas ou novos seres fantásticos. Para quem vai acompanhar as últimas aventuras de Sookie, talvez seja bacana relembrar os bons e maus momentos que a série passou nos últimos tempos e conseguir aproveitar esses últimos episódios em um misto de saudosimos e esperança de um final triunfante para os personagens de Bons Temps.

5 de abril de 2014

Comentário - Morte Súbita de J.K Rowling

Demorei para finalmente ler Morte Súbita. Tinha medo que o primeiro romance adulto da escritora de Harry Potter nos fizesse pensar que a saga do bruxo tinha sido mais um golpe de sorte do que talento. Besteira. Se o livro não é uma obra-prima avassaladora, ao menos comprova o talento de Rowling em criar histórias envolventes, universais e entreter o leitor. 

As diversas tramas se passam em uma pacata vila inglesa, em que os tradicionais moradores vivem uma aparente imutável rotina há décadas. Quando um dos membros mais carismáticos do local morre inesperadamente (como já anuncia o título), os segredos e mentiras construídos por anos começam a ruir e, pouco a pouco, os aparentemente impecáveis moradores do local começam a mostrar o lado mais…. ‘humano’. 

Como toda obra com várias histórias paralelas e diversos personagens, nem sempre há espaço para um bom desenvolvimento e algumas boas histórias acabam apressadas, desperdiçadas no meio do caminho para dar espaço para acontecimentos sem muita importância. Nesse sentindo, Rowling prefere criar dezenas de personagens típicos como a ‘dona de casa entediada’, ‘a vítima de preconceito’ ou ‘a adolescente problemática’ do que focar e desenvolver com complexidade alguma das histórias que montam seu quebra-cabeça. 


Da série que a tornou famosa no mundo inteiro, Rowling continua dando um destaque especial para os adolescentes e parece bem mais familiarizada a escrever sobre as angústias de jovens que querem sair da cidade pequena do que a crise de meia idade por que passam os personagens ‘maduros’. Os jovens, inclusive, protagonizam os principais momentos da trama e são responsáveis pelas grandes revelações. Os adultos, em geral, só reagem a esse acontecimentos.

Para certificar-se de que a história não seria confundida com seus livros anteriores, Rowling também parece ter passado por uma listinha de temas ‘adultos’ em cada capítulo, algumas vezes até forçando a mão em revelações e acontecimentos que parecem não levar a nada, como um estupro que pouco é comentado nas páginas seguintes.  

Com um ritmo lento no começo, em que cada personagem é apresentado dentro da rotina da cidade, Morte Súbita engrena mesmo quando os segredos começam a aparecer. Pena que quando já estamos íntimos daqueles personagens, com seus defeitos e características, a história termina um tanto apressada, principalmente diante dos acontecimentos finais. Para os que ainda estão em dúvida sobre Morta Súbita, pode ler sem medo e escolher dentre as diversas tramas, aqueles que você mais gosta ou se identifica. 

6 de março de 2014

Os vilões da telinha - as novas temporadas de Hannibal e Bates Motel

Se antes o cinema era o lar dos grandes vilões, atualmente, é na TV que podemos nos encantar com a malícia e maldade de dois grandes representantes: Hannibal, o brilhante psiquiatra canibal da triologia de Thomas Harris e Normam Bates, do clássico Psicose

Com o retorno das duas séries em novas temporadas, essa pode ser uma ótima oportunidade de provar que o pior dos monstros pode ser (muito) humano.

Hannibal


Os fãs do personagem icônico do cinema temiam que a série não fizesse jus ao personagem, entretanto, até os mais receosos tiveram que dar o braço a torcer ao conferirem o resultado da primeira temporada de Hannibal. Na série, acompanhamos o brilhante psiquiatra auxiliando Will Graham, um consultor do FBI com a estranha capacidade de recriar cenas de crime e pensar como os assassinos agem. Ao longo dos 13 episódios, é impossível não fascinar-se com um dos melhores vilões de todos os tempos. 

Se nos filmes já tínhamos Hannibal dentro de uma cela e só ouvíamos falar de seus crimes, na série temos a oportunidade de vê-lo convivendo em sociedade, conciliando a rotina de médico respeitado e refinado, enquanto tenta esconder os assassinatos brutais que comete, sem um pingo de rancor. Nesse sentido, apenas na televisão teríamos a oportunidade de explorar outros aspectos, como as sessões de terapia que o próprio Hannibal faz e o modo que ele manipula os que o cercam.


Nesse sentido, Mads Mikkelsen cria um Hannibal misterioso, charmoso e bem menos exótico que a figura imortalizada por Anthony Hopkins, aproximando-o da realidade. Se alguns fãs reclamam que lhe faltam a ironia e o humor negro, devemos lembrar que durante a série, o personagem ainda se esforça em parecer normal e evitar qualquer suspeita. Hugh Dancy, também merece destaque ao fugir do padrão que esperamos de agentes do FBI e trazer um homem alterado, febril e quase tão psicótico quanto os assassinos que deve ajudar a prender.

Já que o expectador conhece desde o primeiro episódio o segredo de Hannibal, a série não perde tempo em investir na tensa relação entre o assassino e o agente, não abre histórias paralelas e não esquece os personagens e acontecimentos anteriores, como frequente acontece em outras séries, como American Horror Story. Com uma direção de arte primorosa, que destaca ainda mais os bizarros crimes e personagens, a primeira temporada de Hannibal deixa mistérios soltos o suficiente para manter o interesse e fazer jus ao personagem.

Bates Motel

Se em Hannibal já encontramos o protagonista no auge de sua capacidade e inteligência, em Bates Motel encontramos o jovem Norman Bates, muito antes de se tornar o famigerado protagonista de Psicose. Temos a chance de ver, aos poucos, os motivos que deturparam sua personalidade, especialmente a relação conturbada com a dominadora mãe, Norma. 

Norman mudam-se para um antigo hotel na beira da estrada comprado por Norma, na tentativa de refazer sua vida depois da morte do marido. A fantasia em tornar o hotel um ambiente acolhedor não demora muito e logo os dois notam que estão em um ambiente nada amigável e rodeado de mistérios. Não espere, entretanto, assassinatos por capítulo: a primeira temporada de Bates Motel é focada em perigos bem reais, como traficantes de drogas, estupro, contrabando, exploração de mulheres e outras surpresas. 

Fora do suspense, temos a chance a de ver Norman se relacionando com colegas de classe, experimentando as primeiras decepções amorosas e, principalmente, tendo que lidar com a influência de Norma, que exige sua atenção em tempo integral e parece disposta a protegê-lo sempre, mesmo que use métodos bem questionáveis na maioria das vezes. Vera Farmiga equilibra bem as nuances desse difícil personagem, assim como Freddie Higmore, que oscila entre o sonhador adolescente e atos de crueldade. 

Se alguns fãs reclamaram da atualização da trama e um certo excesso de personagens secundários, nem sempre bem desenvolvidos, devemos ressaltar as boas atuações e a trama bem construída, que vai revelando detalhes sem pressa e com uma sutileza nem sempre comum em séries de suspense. A esperança é que segunda temporada mostre ainda mais o amadurecimento da trama e, obviamente, desenvolva ainda mais a personalidade complexa de Norman. 

1 de dezembro de 2013

Segundo Semestre 2013 - Prism, ArtPop, Bangerz e Britney Jean

Se na primeira metade de 2013 quase não tivemos novidades das ‘divas’ do pop, o segundo semestre foi recheado de vários lançamentos e as já famigeradas brigas de fãs para defender as musas. Entre tantas polêmicas e lançamentos, quatro álbuns se destacam: 

Katy Perry - Prism   

Depois de Teenage Dream e oito singles de sucesso, Katy Perry passou de ‘aposta’ para o primeiro escalão do pop. Nas primeiras declarações sobre o novo trabalho, Katy dizia que o terceiro álbum de estúdio seria mais pessoal e menos alegre que os antecessores. A cantora nem precisava ter colocado fogo na peruca azul ou 'armar um funeral' da era anterior, já que Prism está longe de ser uma ruptura anunciada, apesar de ser o mais diversificado de sua carreira.

Enquanto os álbuns anteriores tinham conceitos e sonoridades bem definidas, como a estética pin-up de One of The Boys ou a divertida narrativa da adolescência em Teenage, Prism aposta em várias direções, sem, entretanto, se aprofundar em nenhuma referência. Entre os destaques, o primeiro single, Roar, faixa de superação com aquela pitada de autoajuda que faz sucesso hoje em dia, demonstra o quanto Katy sabe fazer hits com refrões pegajosos e poderosos. Walking on Air é a música mais dance já produzida pela cantora e poderia facilmente ser lançada como single para incendiar as pistas de dança, assim como Birthday, claramente inspirada no som de Whitney Houston e Mariah Carey no começo da carreira. O restante das faixas, entretanto, soam bem menos memoráveis que os trabalhos anteriores de Katy e carecem de identidade ou diferencial: This Is How We Do, por exemplopoderia facilmente estar em um álbum de Rita Ora ou Selena Gomez. 

Se por um lado Katy ganha pontos por não tentar fazer uma segunda parte de Teenage Dream, por outro, fica a impressão de que o conceito de Prism foi alterando-se durante a produção e resultado é um conjunto de canções que não se completam 100%. Não que Katy, que se esforça em fixar suas músicas no cenário pop, não consiga reverter essa situação com bons clipes e enorme popularidade. 

Lady Gaga - ArtPop 

Lady Gaga soube como manter o mistério sobre ArtPop, especialmente após o sumiço com a operação no quadril. Depois de tantos meses de trabalho e promessas de “uma revolução musical”, as experimentações com Marina Abramovic parecem funcionar e ArtPop revela-se uma celebração à música pop, com referências claras e um retorno da cantora ao som que a tornou uma sensação na música há alguns anos atrás. Só não deixe-se enganar: há mais pop do que arte nesse trabalho. 

Se com Born This Way a cantora afastou parte dos fãs com bizarrices, discursos de autoaceitação e uma sonoridade menos pop, ArtPop traz de volta as canções dançantes e despretensiosas e nos faz lembrar que, além dos figurinos exuberantes, Gaga canta bem, tem boa produção e propriedade para fazer um álbum com nome tão abrangente. Essa vontade de revelar-se novamente fica clara em Aura, em que Gaga pergunta: “Você quer ver a garota que vive por trás da aura?” ou em uma das melhores faixas do trabalho, a homônima ArtPop. Nesse processo de ‘descobertas’ e reflexões, há momentos divertidos como Manicure, Donatella (sim, a dona da Versace), as celebrações da moda (Fashion) e do próprio espetáculo (Applause). Pena que o segundo single acabou sendo alterado com a mediana Do What U Want já que Venus é infinitamente mais interessante. 

ArtPop parece o trabalho de transição que faltou entre The Fame e Born This Way, com mais diversão e menos bizarrices gratuitas. Pelas últimas apresentações e clipe, podemos ter uma nova fase bem mais simples em figurinos ou produções, mas com uma cantora mais segura do seu potencial, extensão de voz e sem aquele discurso de autoajuda que ultimamente já estava tedioso. Fica a sensação, entretanto, de que o álbum não tem uma música capaz de repetir o sucesso estrondoso de Bad Romance ou mesmo Poker Face, o que poderá representar em uma queda da popularidade e poder midiático da cantora. Outra questão é que a anunciada revolução, que contaria com um aplicativo, um possível álbum duplo e experimentações musicais, acabou ficando só como um boato. Melhor assim, talvez: sem a pretensão de ter ‘o hino da geração’, Gaga não precisará lançar qualquer coisa só para continuar no topo da Billboard.  

Miley Cyrus - Bangerz 

Quem diria que a ex-queridinha-da-Disney se tornaria uma das personalidades mais controversas e comentadas de 2013? Depois da polêmica apresentação no VMA, aparecer nua no clipe dirigido por Terry Richardson e fumar maconha no palco do EMA, Miley apagou de vez o passado como Hannah Montana e conseguiu chamar atenção para Bangerz. Se a estratégia foi forçada ou se ela está se queimando, só o tempo dirá. O resultado, por enquanto, é que muitas pessoas que jamais ouviriam Miley deram o braço a torcer e Bangerz já está entre os grandes lançamentos do ano. 

Miley disse que esse trabalho deveria ser considerado como o primeiro disco, um recomeço total na carreira. Analisando por essa perspectiva, Bangerz é uma estreia com bons momentos, capaz de brigar com as ‘veteranas do pop’, apesar de não ter nenhuma inovação ou mesmo ousadia: faltou rebeldia em grande parte do álbum, só aparecendo algumas vezes como na ótima ‘We Can’t Stop’ (oferecida originalmente à Rihanna) ou  em Love, Money, Party. Fora a polêmica, Miley também mostra que é uma boa cantora no single Wrecking Ball, sobre um relacionamento destrutivo ou na ótima Drive. Em SMS (Bangerz), há até um dueto rapidinho (e um tanto apagado) com outra princesa-disney que se rebelou: Britney Spears. 

Entre várias participações (algumas bem desnecessárias), Get It Right destaca-se pela produção de Pharrel e Adore You, escolhida como terceiro single, mostram que Miley tem potencial em permanecer nas paradas de sucesso e que pode chamar atenção e marcar seu nome na música pop além das polêmicas e declarações chocantes. Se Bangerz é só o começo, estaremos esperando pelos próximos passos de Miley!

Britney Spears - Britney Jean

Mesmo sem a divulgação maciça, só o nome de Britney já é suficiente para que as expectativas sejam altas e seus lançamentos sempre causam comoção na internet. Para aproveitar o melhor desse novo trabalho, esqueça todos os boatos de que a Princesa do Pop iria revolucionar a música ou cantar como nunca antes: Britney Jean é um típico álbum de Britney, com toda a experiência de quem está há anos esse jogo. 

Se o primeiro single, Work Bitch pareceu não ter feito o sucesso esperado, apesar do clipe que relembra seus melhores momentos, Britney ainda tem boas opções para apostar, como Perfume, uma baladinha como há muito tempo Britney não lançava ou Tick Tick Boom, que surge como uma das preferidas dos fãs. Apesar da variedade de produtores e colaboradores, que vão do famigerado parceiro Will.i.am, Sia, Katy Perry e até William Orbit (responsáveis por alguns dos melhores momentos de Madonna), há uma unidade entre as música, o que faz com que Britney Jean seja um daqueles álbuns para se ouvir repetidamente, sem cansar tão fácil. 

Em seu oitavo álbum, Britney não tem mais a necessidade de provar seu talento, se consegue cantar ao vivo ou sua relevância na música pop. O álbum pode não estar fazendo o sucesso esperado nas vendas, nem se tornar um marco na música, mas parece o trabalho mais pessoal de Britney desde Blackout. Ela pode não ser a mais talentosa das cantoras, nem divulgar seu trabalho como antes, mas Britney Jean mostra que que a melhor habilidade de Britney sempre foi escolher músicas contagiantes, que se tornam hinos do pop sem pretensão ou por imposição, como as novatas tentam fazer.  

31 de agosto de 2013

Leave Miley Cyrus alone! - O "desastre" no VMA?


A platéia estava visivelmente constrangida com a apresentação de Miley Cyrus no VMA. Instantaneamente, o assunto dominou as redes sociais e se tornou o momento mais comentado da noite, mesmo com apresentações aguardadas de Katy Perry, Lady Gaga, Justin Timberlake e o retorno de N Sync. Durante a semana, a polêmica sobre a performance que misturava elementos infantis com sexo tomou proporções ainda maiores: não faltaram críticas, piadas e comentários de famosos sobre o caso, defendendo ou crucifixando Miley. A Parents Television Council, conselho de pais para televisão americana, chegou a afirmar que a cantora estava substituindo talento musical por sexo e que a classificação do VMA deveria aumentar. Se por um lado é inegável que a apresentação soou forçada, por outro, Miley conseguiu chamar a atenção necessária e atingiu o objetivo: deixar, de uma vez por todas, a imagem de boa moça que a tornou famosa. 

Ver a até então menininha da Disney seminua no palco lambendo Robin Thicke não seria algo que o público esperaria ver da interprete da Hanna Montana até o começo do ano passado, por exemplo. O comportamento um tanto desequilibrado de Miley nos últimos tempos, na realidade, é o ápice de uma série de mudanças que a cantora passou para enterrar o passado. O processo foi gradual e começou no ano passado, quando ela abandou o longo cabelo ondulado e adotou um corte platinado e raspado nas laterais. Ao receber centenas de críticas pelo novo visual, a cantora postou que se sentia livre e que não cederia as pressões e comentários. Defender seu ponto de vista e visual, diferente de Beyoncé que colocou apliques uma semana depois de cortar o cabelo, revelava uma Miley diferente, disposta a lutar pela opinião. Dali em diante, a cantora aproveitou os eventos e editorais para marcar essa transição e explorar a imagem de uma mulher firme, de opinião. 


Com o novo estilo já definido, Miley encontrou em We Can't Stop, oferecida primeiramente a Rihanna como uma Party in the USA para adultos, o single que marcaria essa re-invenção também na carreira musical. Em uma letra que exalta as celebrações sem limites, Miley achou a forma de dizer que não se importa mais para as críticas e que em "sua festa" é livre para fazer o que desejar. É como se a cantora tentasse zerar sua trajetória musical e conquistar os mesmos fãs de Rihanna, Ke$ha, Lady Gaga... Em uma recente entrevista para a Bilboard, inclusive, Miley disse que todo o trabalho antes do próximo álbum não mais a representa e deveria ser desconsiderado pelos novos fãs. Nesse contexto, a apresentação do VMA simboliza a tentativa, um tanto forçada, de ser o "marco zero" nessa nova fase de Miley.  

Não que a apresentação tenha sido um primor, longe disso. Haveria maneiras muito mais sutis e inteligentes de se impor como uma artista madura do que aparecer com uma lingerie feia e mostrar a língua, para “ter atitude”. Do jeito que foi realizada, faltou sensualidade e sobrou mal gosto. Por outro lado, é chocante constatar que o público que tanto critica Miley continua sendo praticamente o mesmo que criticava Madonna por falar de sexo há mais de 20 atrás. A mesma geração que se orgulha tanto de uma “aparente” liberdade sexual e da troca instantânea de informação, ainda se choca ao ver uma mulher de lingerie na televisão (nesse contexto, inclui-se a reação da família Smith ao ver Lady Gaga no palco, na mesma noite). Será que essa platéia apática de 2013 não acharia a apresentação de Prince em 1991 “muito ousada” e “apelativa”? Será que o antológico beijo lésbico do VMA de 2003 hoje em dia seria considerado uma “tentativa desesperada de chamar atenção?


Além disso, não deixa de ser curioso que outra “cantora Disney” também tenha passado pelos mesmos momentos em busca de maturidade: Britney Spears, após anos como a queridinha do público também quis alterar sua imagem de boa moça, até a sucessão de vexames públicos que culminaram na desastrosa apresentação no VMA 2007, visivelmente alterada, acima do peso e mal conseguindo dublar a própria música. A comparação com Britney pode nem ser tão coincidência, uma vez que Miley conta com a orientação do empresário Larry Rodoph, o mesmo que cuidou da "Princesa do Pop" no auge de sua carreira e teve a direção de Diane Martel, a mesma do clipe 3. Miley percebeu que o público não resiste à  uma "good girl gone bad". 

A atriz Brooke Shields afirmou que Miley deveria repensar as atitudes “desesperadas”. Não seria igualmente desespero se ela continuasse a posar de boa moça e nunca saísse da zona de conforto? Talvez, a apresentação de Miley tenha sido propositalmente ruim para que, pela primeira vez, seu nome não estivesse atrelado ao seriado que a tornou famosa. Além disso, a "má publicidade" parece ter funcionado e Miley está no centro do mundo pop, sendo debatida com um fervor que não se via desde que Lady Gaga usou o vestido de carne. Nos resta torcer que Miley amadureça e perceba que sem talento e inteligência, nenhuma polêmica ou hit se sustentam por muito tempo e que há formas bem mais originais de chocar que mostrar a língua. No fim, infinitamente melhor ter uma apresentação ruim do que uma apática. Ponto para a "nova" Miley.


11 de agosto de 2013

CDs do primeiro semestre de 2013

O primeiro semestre de 2013 não rendeu um hit-pop-arrasa quarteirão a nível de Call Me Maybe ou uma febre da internet como o Gangnam Style. Na falta de revelações, os destaques ficaram nas mãos de artistas consagrados, alguns que até andavam afastados da mídia e voltaram com material inédito após alguns anos. O hit do verão, por exemplo, ficou nas mãos da dupla francesa Daft Punk, com o sucesso de Get Lucky. No Brasil, depois de uma leva de cantoras que seguiam a cartilha Vanessa da Mata, cantores e bandas estão com mais oportunidade de divulgar seus (bons) trabalhos depois do sucesso e reconhecimento de Criolo, Cícero e Silva. A dica é filtrar um pouco o som de fora e abrir bem os ouvidos para o que está rolando por aqui! 

David Bowie - The Next Day


O sumiço de David Bowie ganhava cada vez versões mais mirabolantes: alguns diziam que o camaleão estava com uma doença terminal, outros afirmavam que o cantor só estava decepcionado com a repercussão do último trabalho, enquanto uma parcela acredita que, na verdade, Bowie estava cansado de produzir. Secretamente, entretanto, ele estava gravando e arquitetando seu retorno e deu uma rasteira em toda mídia. Quando achou que estava pronto, Bowie utilizou a internet para anunciar sua nova produção e entregou um álbum que resume várias sonoridades e estilos que ele já adotou ao longo da carreira. A própria capa do CD já indica essa visão saudosa do artista, com a reileitura de sua própria obra. Bowie critica o presente com canções que discutem o culto das celebridades, a velocidade das informações e sensação de estar cada vez mais perdido e um mundo superficial. Entre os destaques, os singles The Stars Are Out Tonight e The Next Day resumem bem esse retorno tão esperado pelos fãs da música. Pode não um trabalho brilhante, mas ouvir novidades de Bowie sempre vale a pena.

Justin Timberlake - 20/20 Experience

Depois de alguns anos dedicando-se a carreira de ator, Justin Timberlake decidiu “trazer a elegância de volta” com 20/20 Experience, projeto dividido em duas partes. Com um sonoridade retrô e mais sofisticada, Justin deixou um pouco de lado os batidões do hip-hop e passos de dança que o transformaram em uma das estrelas mais requisitadas da década passada. Em suas novas investidas, Justin investe mais em baladas do que em músicas dançantes, como Mirros, que faz a ponte entre o trabalho anterior e esse. As melhores faixas, porém, são aquelas em que Justin abandona de vez o personagem anterior, como Suit And Tie e abertura Pusher Love Girl. O problema é que essa sonoridade já não é mais novidade desde que Amy Winehouse estourou e trouxe uma leva de artistas que buscam no passado a inspiração para criar: o próprio Bruno Mars já faz um trabalho nesse sentido. Além disso, a longa duração das músicas chega a irritar em alguns momentos. Agora, resta esperar pela continuação do projeto, que será lançada ainda neste ano.  

Wado - Vazio Tropical

Menos diversificado que o álbum anterior, Vazio Tropical pega carona no sucesso de Silva e Cícero (com direito a dueto) e promete tornar Wado um nome mais familiar aos ouvintes de música-pop-nacional. A produção de Marcelo Camelo, ao mesmo tempo em que cria uma unidade entre as músicas, também deixa o som do cantor sem muita personalidade, como se fosse uma continuação dos trabalhos do próprio Camelo. Não é a toa que os melhores momentos são aqueles que lembram o trabalho anterior, como a belíssima e a delicada faixa Flores do Bem e o samba Quarto Sem Porta. As composições continuam como o diferencial do artista, com uma delicadeza mesmo em assuntos complexos, como a solidão na cidade grande, relacionamentos e a busca da própria identidade. Vazio Tropical pode render a popularidade dos colegas à Wado e fazer com que sua voz doce ganhe a divulgação que merece. 

She & Him - Vol.3 

A dupla despretensiosa, que começou como um projeto alternativo, chega ao seu terceiro volume com status cult e uma constante evolução e amadurecimento. Zooey Deschanel, agora já musa indie, pode não ter uma voz potente, mas compensa com interpretações competentes e o controle cada vez maior de sua habilidade vocal. Com uma sonoridade cada vez mais elaborada, a dupla não deixa de lado o charme retrô que a tornou famosa e não tem medo de evocar The Carpenters, com canções leves. Destaques para as regravações, como Sunday Girl de Blondie, que ganhou uma cativantes versão. Um álbum só com covers poderia render um ótimo Volume 4. Se falta uma canção mais pop, como In The Sun, o terceiro volume rende ótimos momentos, como I Got Your Number Son, a ótima  I Could've Been Your Girl e a baladinha Turn To White. Despretensioso, leve e demonstrando uma constante evolução, sem perder as características, She & Him anda melhor que muito cantor “sério”.