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8 de março de 2015

Com 'Are You The One' e 'Adotada', MTV foca em novo público

Não estranhe se beirando os 30 anos, você começa a assistir novamente a MTV. Focado nessa geração que ‘deu uma esticada’ na adolescência e ainda vive mais dilemas que certezas, dois reality shows do canal focam nesse grupo específico de telespectadores. Enquanto Are You The One é um reality de relacionamentos amorosos, com o objetivo de formar 10 casais ‘perfeitos’, Adotada foca nas relações (nem sempre agradáveis) em família e as diferenças entre criações.  

Se no começo dos anos 00 a MTV, ainda na era pré-youtube e banda larga, era a responsável por ditar as tendências e os ícones jovens, como os clipes que marcaram gerações e os comportamentos que seriam copiados, a emissora sofreu a decadência quando o acesso a música, vídeos e entrevistas se tornaram acessíveis a distância de um clique, no momento em que você desejar. Não tentando mais competir com a Internet ou retomar o espaço que um dia teve, o canal acerta a mão novamente ao oferecer entretenimento fácil e que refletem alguns comportamentos bem atuais, sem julgamentos ou lições de moral. 


Com 20 jovens bonitos, cheios de estilo e solteiros, Are You The One é um reality de formato estrangeiro com o objetivo de encontrar 10 pares ideais. Em uma época de Tinder, Grindr e Badoo, em que o match perfeito pode estar no clique certo, os solteiros são isolados em uma casa maravilhosa e devem encontrar a pessoa que, por testes de personalidade, foi escolhida como ‘par ideal’. Com a primeira temporada ainda em exibição, nos episódios acompanhamos competidores que tentam manter uma postura madura no primeiro momento, mas que logo se revelam ciumentos, egoístas e, muitas vezes, sem tanto conteúdo.  

Com provinhas sem criatividade (normalmente envolvendo os participantes com pouca roupa) e brigas ao nível de novela mexicana, Are You The One é um espelho das relações atuais, em que nem sempre o ‘par perfeito’ é a melhor escolha, já que não é raro os participantes se apaixonarem por candidatos que não são os seus indicados compatíveis. Também é curioso como em geral os jovens se mostram bem imaturos quando precisam conversar entre eles, expressar opiniões ou até mesmo argumentarem entre si. Não é raro ver homens se comportando como meninos, jogando capoeira, tentando ‘chegar nas meninas’ ou em rodinhas conversando sobre exercícios físicos, enquanto as meninas assumem a tarefa de arrumarem a casa, fofocarem entre si e cozinharem. Também não faltam inimizades entre elas, como quando uma menina propôs a troca de casais, objetivo do programa, logo foram as outras colegas ficaram contra ela começaram a taxá-la como ‘piriguete’. Em uma época de conquistas feministas, ainda falta uma mudança no comportamento e atitude de muitas mulheres, que ainda julgam quando uma delas falam abertamente de seduzir um homem e não espera que ele tome a atitude. 


Com a proposta de visitar uma nova casa e ‘ser parte da família’ por episódio, Adotada é outro reality que chama atenção por choques culturais e sociais. Maria Eugenia, produtora de moda, DJ e ex-namorada do Supla (que aparece em todos os episódios), é magra, bem produzida, antenada, veste as melhores grifes do mundo e chega aos 27 anos ainda querendo experimentar novidades. Com uma segunda temporada já marcada para estrear em abril, Adotada mostrou na primeira temporada cerca de 10 famílias diferentes, em que a ‘filha adotada’ teve que encarar o dia a dia de comunidades hippies, vendedoras de acarajé, mães obcecadas por disciplina e muitos filhos mimados. 

Seguindo a proposta do ‘Troca de Família’ ou ‘Super Nanny’, que busca o choque de gerações e criações para dar dinâmica ao programa, Adotada renova a fórmula por ser protagonizado por Maria Eugenia, que oscila entre momentos em que se diz ‘madura para a idade’, entre outros que parece disposta a ir curtir a balada com seus ‘irmãos adotivos’ e pouco se importar com as consequências do que fala. Marieu, como é chamada pelos fãs, também é autêntica em demonstrar um comportamento típico da nossa geração, ao defender seu discurso, mesmo que isso muitas vezes signifique ignorar outros argumentos ou ideias. No mesmo episódio em que defende um jovem homossexual e finge ser transsexual para o pai dele, com intuito de debater a diversidade sexual, ela dá risada em uma apresentação de dança em que mulheres acima do peso dançavam. 

Talvez sem o objetivo, a nova MTV acerta ao demonstrar os comportamentos dessa nova geração de jovens, que chega a idade adulta ainda oscilando com muitas dúvidas. Os programas se destacam justamente quando retratam essa inconstância tão comum em nossos dias e, sem dúvida, soam mais autênticos que outros programas desse gênero. Não se surpreenda se de repente, você também se ver torcendo para que aqueles jovens encontrem seus pares ideais, que Marieu entre em choque com novas famílias e que, pouco a pouco, retratem muito da sua rotina e te façam pensar em novos dilemas e possibilidades! 

9 de setembro de 2014

5 lições de RuPaul's Drag Race


Em meio a toda maquiagem, roupas coloridas e tramas previsíveis de reality show, RuPaul’s Drag Race mantém o sucesso após seis temporadas por também trazer lições valiosas sobre competição e superação de desafios que valem para qualquer pessoa, mesmo aqueles muito fora do circuito pop ou do mundo LGBT. 

Quase sempre vítimas de preconceitos e com histórias familiares nem sempre com finais felizes, os participantes do reality encontraram na transformação de drag queen a forma de se tornarem artistas admirados, expressarem os talentos e serem capazes de zombarem do próprio sofrimento, quando necessário. Entre as várias lições que podemos tirar do programar, algumas se destacam:

1 - Vale (quase) tudo para atingir os objetivos

Diferente de competições ou concursos de talentos específicos, em que vence o melhor cozinheiro ou ou cantor, em RuPaul’s Drag Race as competidoras devem saber costurar, cantar, dançar, fazer um show de comédia, imitarem as celebridades e ainda se maquiarem para arrasar nas passarelas. Entre os desafios semanais, há atividades individuais e em grupo e nesses momentos vemos que para ficar entre os melhores da semana vale de tudo: desde colar um vestido no próprio corpo com cola quente, reatar inimizades de anos com as rivais e até falar mal das amigas para os jurados. Fora os competidores que tiveram que aprender na marra como cantar ou dançar para não fazerem feio para os jurados, como Alaska (da quinta temporada) no desafio da dança ou Trinity K. Bonet  que superou a timidez para fazer um show de comédia stand-up na última temporada.  

2 -  Melhor Ousar que não Marcar

As últimas vencedoras do programa têm algo em comum: todas tiveram coragem de ousar e sair do padrão esperado para uma drag queen ‘tradicional’. Logo na terceira temporada, Raja chamou a atenção justamente por não se parecer com nenhuma competidora e trazer novidades para os desafios, sempre com sua pitada ‘fashion’ e boas referências da moda e cultura pop. Criticada por parecer ‘um homem de vestido’, Raja não usava os tradicionais enchimentos que algumas competidoras usam para deixar seu corpo mais feminino e apostava na estética andrógina, com o corpo bem magro e delgado para se destacar. Na última temporada, Milk também foi criticada justamente por não seguir uma estética mais feminina, aparecendo inclusive com uma barba postiça no primeiro desafio e de homem em outro. O preço, nesse caso, acabou sendo alto: Milk saiu na metade do desafio. Mesmo sem levar o grande prêmio, a drag figura fácil entre as mais marcante das últimas competidoras.  

3 - Confie e elabore o próprio estilo


Entre as participantes de RuPaul’s Drag Race há diferentes estilos e talentos: algumas se garantem na comédia, enquanto outras imitam celebridades perfeitamente e há ainda aquelas que se esforçam em parecer mulheres de verdade. Nem sempre as próprias competidoras entendem as outras e atritos acabam sendo inevitáveis, como na quarta temporada, com PhiPhi O’Hara e Sharon Needles, vencedora da edição. Sharon apresentava uma mistura ousada de estilos e sabia explorar como poucas sua estética gótica para vencer os desafios. Conhecendo o próprio potencial e talento, logo no primeiro desafio enquanto as outras competidoras apresentavam suas versões de guerreiras pós-apocalipse, Sharon entrou como um zumbi mutante, jorrando sangue pela boca e surpreendendo a todos, inclusive os jurados. Bianca Del Rio, a última rainha coroada, também soube como usar a comédia de insulto como diferencial, conquistando cada vez mais admiradores no caminho, até aqueles que ela tirou sarro. Definir e explorar um estilo ajuda a fixar a marca e mostrar aos outros os diferenciais.

4 - Tenha boas referências


Muitas participantes prejudicam-se por não estarem atualizadas ou conhecerem diferentes estilos de artistas, produções culturais ou mesmo personagens pop. Em desafios maiores, que exigem imitações, criação de roteiro ou interpretação, conhecer além do mainstream pode ser o fator determinante para o sucesso. A excêntrica Jinkx Monsoon, vencedora da quinta temporada, destacou-se ao escolher Edie de Grey Gardens em um jogo de imitações de celebridades. Enquanto as colegas imitavam cantoras pop contemporâneas como Katy Perry, Kesha e Taylor Swift, Jynks deu um show de atuação e improviso ao caracterizar-se como a prima decadente de Jackie-O. Mesmo com as colegas criticando a escolha, Jinkx manteve a opinião e soube usar o conhecimento para brilhar. No mesmo desafio na temporada anterior, Chad Michael também surpreendeu ao praticamente encarnar Cher e provar que além de uma boa ideia, é necessário pesquisa, preparo e dedicação para ter bons resultados. 

5 - Esteja preparado para dublar! 


Você lutou, tentou, se colou com cola quente e mesmo assim o resultado não foi dos melhores? Muitas vezes, essa pode ser a chance de dar a volta por cima e provar o valor e desejo de continuar na competição. ‘Na sua última chance de impressionar’, é necessário estar preparado para dublar ‘pela própria vida’. Nesses minutos derradeiros é necessário buscar força e motivação e não deixar que a concorrente chame mais atenção ou atraia os olhares dos jurados. Uma sílaba fora do tom pode ser o seu ‘sashay’ do prêmio. Nessa hora, a melhor coisa defender-se da maneira que você mais sabe e apostar no talento, seja com humor, interpretação ou simplesmente tirando a roupa. Só não vale tentar erguer a outra drag….