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3 de novembro de 2017

DVD Rebel Heart Tour - Em novo show Madonna ressurge mais saudosista



Com o lançamento do CD duplo e do DVD da Rebel Heart Tour, os fãs brasileiros têm a oportunidade de assistir ao show que dessa vez não veio ao país e conferir essa ‘nova’ Madonna, que surge mais saudosista que nunca. Na décima turnê da carreira, a Material Girl deixa um pouco de lado as tecnologias e palcos que parecem Transformers que marcaram os últimos shows e aposta em truques de cena como figurinos deslumbrantes, uma trupe de dançarinos diversificados e um setlist recheado de clássicos oitentistas para levantar o público.

O clássico novo pop

O show segue o padrão que a loira estabeleceu com Blond Ambition e é seguido por 90% das produções atuais, com blocos temáticos separando músicas e conduzindo o espectador pela 'jornada' (como Madonna costuma se referir aos espetáculos) e criando os novos personagens da carreira. Assim, o show começa com Madonna enclausurada com mesmo vestido em que defendeu Sooner or Later na cerimonia do Oscar em 93, uma referencia direta a Marilyn Monroe, o ícone pop supremo do cinema que Madonna recriou tantas vezes ao longo da carreira. Fragilizada na jaula, Madonna contesta a imagem de ícone superficial, convocando os exércitos em Iconic e já emendando com Bitch I'm Madonna.

De forma geral, esse primeiro bloco resume alguma das lutas e polêmicas de Madonna, com o ponto alto em Holly Water, em que freiras sensuais fazem pole dance e uma pecaminosa recriação da Santa Ceia. Após esse começo frenético com a guerreira Madonna, o próximo bloco dá uma acalmada, com estética retrô e o encanto, decepção e superação de um relacionamento. True Blue, música composta para Sean Pean, é resgatada em uma emocionante versão acústica, assim como Like a Virgin é repaginada com Madonna dançando, rolando e rebolando pelo palco... impossível qualquer fã não ficar com um sorriso no rosto de associar esse momento com The Virgin Tour de 85




Depois de uma passada pela fase Erotica com uma sensual performance de S.E.X, Madonna surge com a longa capa, executando com maestria a performance de toureira de Living For Love que levou a cantora ao chão no palco do EMA em 2015. O drama das touradas é só a porta de entrada para o  colorido universo latino, que Madonna sempre visitou em clipes e turnês ao longo da carreira e aqui serve de plano de fundo para os hits La Isla Bonita, Dress to Up e Into the Groove, finalizando com Rebel Heart reforçando várias imagens icônicas da loira. Impossível não sentir falta de pelo menos uma das performances acústicas que Madonna fez ao longo da turnê nesse bloco, como Who's That Gilr, Secret, Don't tell Me, entre outras, que deixaria o bloco ainda mais emocionante. 

Já na reta final, Illuminatti é um interlúdios mais incríveis dos shows de Madonna, com dançarinos se equilibrando em uma interessante coreografia. O brilho dos anos 20 é reforçado por Madonna cantando Music em preto e branco, em um clima de cabaré decadente. Até Material Girl, hit que a cantora já revelou não mais se identificar, surge fazendo referência direta ao clipe com ares de art déco, com Madonna se livrando dos pretendentes até terminar vestida de noiva, em uma clara associação com sua fase oitentista. Para fechar essa 'jornada', depois de uma versão acústica de La Vie en Rose, Madonna faz a festa com convidados VIPS em Unapologetic Bitch e termina voando toda sorridente em Holiday, hit que já encerrou vários shows. 


Edição pesada tira parte da emoção

Funcionando quase como uma turnê de celebração e recapitulação da carreira, a Rebel Heart exibe uma faceta mais vulnerável e acessível de Madonna, sem tantos efeitos de palco e mais interessada em se conectar com o público. É uma pena, portanto, que parte dessa emoção saudosista seja prejudicada nesse registro oficial pela edição que ora tira trechos das apresentações, ora coloca tanta informação em tela que fica difícil de acompanhar a cena. Nessa, até a edição de áudio tira praticamente toda a emoção dos fãs para deixar a base mais alta que a própria voz da Madonna: basta ver qualquer vídeo no youtube gravado por fãs para sentir a diferença. Um pouco mais de apreço na edição teria evitado essa impressão de distanciamento. 

Em entrevista para divulgação desse material, Madonna comentou que planeja futuras turnês mais intimistas, já que acredita que levou as superproduções ao limite ao longo da carreira e agora deseja explorar novos formatos, mais próximo dos fãs e sem tanto apelo tecnológico. Se for realmente um novo posicionamento da cantora, agora que também está beirando os 60 anos, Rebel Heart entrará em sua história com a primeira olhada nostálgica ao passado, sem naftalina, um espetáculo capaz de agradar tanto quem cresceu vendo a noiva de Like a Virgin quanto quem descobriu a cantora dançando Bitch I'm Madonna no youtube, uma comprovação de que no palco ela ainda é a Rainha do Pop.  

10 de março de 2015

Crítica - Madonna expõem dilemas com 'Rebel Heart'

Poucas artistas tiveram tantos ‘retornos’ e recomeços como Madonna. Dentro da proposta de se reinventar a cada trabalho, a cantora soube como poucos usar as saídas estratégicas para manter-se constantemente sendo ‘redescoberta’ pelo grande público e a mídia. Se hoje ela já poderia desfrutar soberana em um almejado (e disputado) trono do pop, Madonna parece genuinamente interessada em, mais uma vez, descer do Olimpo e provar que não é reverenciada como ícone pop há três décadas apenas por legado. A cantora quer provar que ainda consegue ser a mulher que desperta o interesse do público, fazendo aquilo que melhor sabe: ser controversa. É com o objetivo de recomeçar (mais uma vez), que Madonna apresenta seu décimo terceiro trabalho em mais trinta anos de carreira: Rebel Heart.

Depois da recepção morna ao último trabalho, MDNA (2012), que foi realizado entre a filmagem do filme W.E e o lançamento de uma linha de roupas (o que gerou protesto até do produtor William Orbit), Madonna pareceu bem mais focada na produção do álbum sucessor e chamou um verdadeiro ‘time’ de talentos em busca de uma nova sonoridade. Depois de quase um ano no estúdio, que resultaram as famosas ‘80 demos’, temos colaborações de artistas e produtores consagrados, como Avicci, Diplo, Alicia Keys, Kayne West, Pharrell Williams, Nicki Minaj (na sua terceira colaboração com Madonna) e o rapper Nas. Das novatas, Natalia Kills conseguiu deixar o som da veterana mais obscuro, enquanto a ‘amiga’ Miley Cyrus ajudou na composição de Wash Over Me. No meio de tantos nomes, até o ex-boxeador Mike Tyson conseguiu participar de uma das faixas (!?).

O álbum já se tornou um marco na carreira da artista por ser o trabalho que mais tempo levou para ser produzido (cerca de nove meses) e ter a divulgação atrapalhada pelos constantes vazamento de materiais ilegais. Em novembro, enquanto o álbum ainda era finalizado, Madonna teve o primeiro baque com a liberação de duas faixas, que seriam só o começo de outros vazamentos, terminando em cerca de 30 canções divulgadas de forma ilegal. Quase um mês antes do lançamento oficial, o álbum já finalizado caiu na internet, quebrando de vez a surpresa dos ajustes. Depois de esbravejar nas redes sociais, Madonna tentou reverter os vazamentos disponibilizando seis faixas do trabalho para venda digital, quase como EP de antecipação, mas é inegável que Rebel Heart chega já prejudicado e sem grandes surpresas.

Bastaram as seis músicas disponibilizadas no iTunes para a crítica eleger Rebel Heart como o melhor álbum de Madonna desde o sucesso de Confessions on a Dancefloor (2005). Ouvindo o trabalho completo, não é difícil analisar que ele se encontra à frente de Hard Candy (2008), em que a cantora tentava seguir a ‘onda’ do hip-hop ou do próprio MDNA (2012), que oscilava entre canções ‘maduras’ sobre o divórcio (como as queridinhas dos fãs, Gang Bang e Love Spent) e outras músicas genéricas e impessoais, em que a cantora tentava emplacar uma imagem juvenil (Some Girls, Superstar). Longe de serem os lixos descartáveis que os delatores tentam pintar, os últimos projetos de Madonna pecavam justamente por não conseguirem marcar uma sonoridade e imagem para cada era, servindo de base apenas para a divulgação da turnê, real foco da cantora na última década.


Rebel Heart acerta justamente no ponto fraco dos últimos trabalhos ao manter uma unidade sonora, como um álbum consistente, o que deve ter sido complicado visto a quantidade de pessoas que trabalharam no projeto e a duração da produção. Dessa forma, é possível encontrar no trabalho o lado ‘rebelde’ da artista, aquele que aos cinquenta anos ainda deseja festejar, falar de sexo e curtir os sabores da fama, ao lado da parcela mais ‘romântica’, recheada de baladas sobre desilusões amorosas, vulnerabilidade e superação pessoal. Como um álbum de contrates, definido pela própria cantora como o encontro da antiga Madonna com uma nova Madonna, há espaços para reflexões pessoais, sendo o trabalho mais autobiográfico de Madonna desde do belo American Life (2003) e relembrando em alguns momentos a sonoridade refinada e obscura do subestimado Erotica (1993).  

As primeiras faixas estão entre as melhores do álbum, com o primeiro single Living for Love, seguido de Devil Pray (sobre uma tenebrosa relação com as drogas) e as mais agitadas do projeto: com pegada reggae, Unapolegic Bitch se torna um novo hino pessoal de Madonna ao decretar-se uma ‘vadia sem remorso’, enquanto Bitch I’m Madonna poderia soar como o cúmulo do egocentrismo, mas não passa de uma divertida brincadeira pop com pitada de Nicki Minaj, ideal para lotar as baladas com coreografias. Iluminatti aproveita os boatos da ‘sociedade secreta’ que dominaria os rumos mundais e rende uma das melhores músicas do álbum, com produção luxuosa de Kayne West e tratando do assunto com ironia, combinando o nome das celebridades que supostamente fazem parte desse grupo secreto.


O restante das músicas oscilam entre baladas românticas, área que Madonna andava um tanto afastada, como Joan D’Ark (que fala sobre vulnerabilidade, algo raro quando falamos da loira) e as dramáticas Heartbreak City e Ghosttown (que provavelmente será o próximo single), enquanto outras canções abordam o lado ‘rebelde’ da artista, como S.E.X, Best Night e Holly Water, que convocam as mulheres para falarem abertamente sobre sexo, posições sexuais e a liberação da ideia de pecado. A própria voz de Madonna ajuda a separar essas temáticas, aparecendo mais calma e suave nas músicas românticas, enquanto nas mais sensuais há sussurros e um tom mais grave, utilizado na época de Like a Prayer e Erotica.

Em Rebel Heart, há também reflexões sobre a própria carreira, como em Iconic, que contém uma mensagem que é pura Madonna, sobre não desistir e manter um discurso contestador. Veni Vidi Vici é outra faixa autoreferente, que rima os nomes e trechos de outros sucessos de Madonna para fazer uma recapitulação da carreira, enquanto a faixa homônima, Rebel Heart, relembra o começo da carreira e a tentativa de ser provocante para chamar atenção, mesmo com a desaprovação do pai. Apontando para um futuro musical, Body Shop, uma das menos querida pelos fãs, é uma daquelas faixas em que a cantora testa novas sonoridades, misturando o ritmo oriental com uma letra metafórica sobre ser ‘arrumada’ em uma oficina corporal. Já Inside Out é um daqueles momentos em que a boa produção encontra uma letra interessante que coloca o amor completo, que incluí defeitos, imperfeições e cicatrizes. Uma posição madura, que nada lembra o som dance que Madonna tentou emplacar nos últimos anos e pode ser um bom indicio do que poderemos ouvir num futuro musical da veterana.


Completamente retrabalhada e agora pouco lembrando a demo focada em baladas, Wash Over Me ganha maior profundidade, sendo uma das faixas que mais expõem os dilemas atuais da artista, que canta ‘Quem sou eu para decidir o que deve ser feito?’ e prefere deixar ‘a chuva cair sobre mim’. É Madonna se colocando como uma ‘estranha’ no cenário atual, vivendo em um mundo contraditório em que ela deseja ainda ser relevante. Comparando com as músicas vazadas ou rejeitadas, é curioso observar que Madonna acabou cortando as canções mais sociais (Freedon, Revolution) para optar pelas dúvidas e contradições de seu ‘coração rebelde’. 

Longe de ser um Confessions 2.0, como muitos fãs esperam há anos, Rebel Heart dá um tempo nas canções-dance-escapista de Madonna e soa mais maduro e até mais calmo que últimos trabalhos da artista. Querendo provar que ainda pode se reinventar e se reapresentar para uma nova geração de fãs, Rebel Heart pode não se tornar um sucesso comercial já que não tem apelo radiofônico, mas prova que Madonna ainda está interessada em produzir, dialogar e criticar convenções. Em um sociedade que ainda boicota as músicas dela pela questão da idade, faz piadinhas com sua queda ou que a critica por simplesmente ser sensual com mais de 50 anos, ainda será necessário que Madonna quebre muitas barreiras antes de poder sentar-se confortavelmente no trono e apenas observar seu legado inegável dentro da cultura pop.


Obs: Lançado em três versões diferentes, caso não seja tão fã da cantora, pode escolher a versão Deluxe, com 19 faixas e as melhores músicas dessa nova fase. Aproveite!



24 de janeiro de 2015

American Horror Story - Elenco e personagens encantam, apesar de furos no roteiro


Quando surgiu em 2011, American Horror Story foi encarada como um teste do produtor Ryan Murphy, que na época  aproveitava a repercussão do sucesso Glee, a série do momento. Poucos acreditavam  no projeto, que tinha o objetivo de resgatar as histórias de terror e suspense na televisão, um vazio não preenchido desde o fim de Arquivo X. Com boa repercussão, American Horror se tornou uma referência, abrindo caminho para outras grandes produções de suspense, desde a elegante Penny Dreadful, passando pela acelerada The Stain, até produções que dividem opiniões, como Salem, Sleepy Hollow, As Bruxas de East End, Hemlock Grove e até Hannibal e Bates Motel. Agora, com o fim da quarta temporada, Freakshow, American Horror se consolida como uma das produções mais influentes da TV, apesar de ainda manter problemas na estrutura.

Com a premissa de contar uma nova história por temporada, sempre com cerca de 13 episódios, American Horror muda a trama anualmente, apresentando novos personagens para o mesmo elenco, que conta com ótimos atores em sintonia. Dessa forma, a série se beneficia em poder se adaptar-se aos temas que estão relevância, atraindo novos fãs a cada ano e não caindo no principal problema de séries atuais: com a necessidade de alongar as temporadas, muitas acabam perdendo o ritmo em episódios arrastados ou tramas que duram anos e poderiam ser resolvidas em alguns dias. O próprio Glee de Ryan não escapou dessa situação e chega na sexta e última temporada sem a repercussão e audiência dos primeiros anos.


Dessa forma, já acompanhamos a história de uma mansão assombrada e palco de assassinatos no primeiro ano, um manicômio cercado de mistérios na segunda (e melhor) temporada, um clã de bruxas lutando pela supremacia de New Orleans e um circo decadente de aberrações no quarto ano. O elemento em comum em todas as histórias é o talento de Ryan em criar personagens carismáticos e complexos, que despertam nossa rejeição e afeição na mesma medida, além de colocá-los em situações bizarras, que podem ir desde uma abdução, rituais voodo ou uma cena musical ao som de Lana Del Rey ambientada nos anos 50. Para rechear as tramas e aproximá-las da realidade, também não faltam referências e citações a celebridades da época, casos reais de crimes hediondos ou personagens históricos que aparecem constantemente na série, despertando nosso interesse em conhecer ainda mais detalhes da história. Na época da 'segunda tela', American Horror se beneficia em manter-nos sempre atento aos detalhes, em busca de pistas ou referências externas. 

Para interpretar personagens tão complexos, Ryan conseguiu reunir um elenco de primeira, de dar inveja a qualquer produção na TV e até mesmo no cinema, juntando na mesma cena talentos consagrados como Katy Bathes e Jessica Lange, além de destacar novos rostos como Emma Roberts e Gabourey Sidibe. Entre as descobertas da série, estão Evan Peters, Frances Conroy e Sarah Paulson, que integram o 'elenco fixo' e se destacaram como o assassino Tate, a bruxa fashion Myrtle Snow e a repórter trancafiada no manicômio, Lana Winters. Da quarta temporada, com o maior elenco até agora, Finn Wittrock foi quem se saiu melhor como o desequilibrado Dandy, que oscilava entre Psicopata Americano e Psicose

Entre todos os destaques, a série também marcou o retorno de Jessica Lange ao estrelato, muitas vezes apoiando-se em seu talento como chamariz. Desde que roubou a cena na primeira temporada como a vizinha misteriosa Constance, Jessica protagonizou os outros anos, sempre com personagens marcantes e representando mulheres fortes, que provaram como Lange é uma atriz completa, seja em tocantes sequências dramáticas, cenas musicais (como The Name Game, uma das mais lembradas pelos fãs) ou desfilando lingerie de dominadora sadomasoquista aos 65 anos. Anunciada como última colaboração de Lange na série, Elsa Mars, dona do circo de aberrações, foi a despedida em grande estilo, uma personagem que oscilava entre o egocentrismo e a vontade genuína de proteger seus 'monstros'. A versatilidade de Lange, obviamente, foi reconhecida com indicações ao Globo de Ouro e Emmy em quase todos os anos em que participou da série. 

Se por um lado a alternância de histórias contribuiu para manter a relevância da série, também resultou em seu maior problema: com uma quantidade grande de personagens e tramas paralelas, não é difícil encontrar erros no roteiro que resultam em situações que não são explicadas, personagens que somem quando não estão em destaque e episódios finais apressados, para conseguir concluir a narrativa elaborada. Das temporadas, Coven foi a mais prejudica por oscilações e personagens que praticamente mudavam o objetivo e importância na trama semanalmente, principalmente a personagem de Lange, que hora aparecia abatida por um câncer e em outros momentos simplesmente esbanjava mais vitalidade que todas as bruxas adolescentes. Além disso, a necessidade de ter praticamente uma morte 'surpreendente' por capítulo acaba tirando o impacto da informação e quando chegamos ao meio da temporada já estamos cansados de ver personagens secundários morrendo de forma inexplicável como desculpa para manter o interesse do público. 


Parecendo preocupados com as críticas, a última temporada manteve um ritmo melhor que Coven e brilhou nos episódios em que haviam citações aos casos reais, como aberrações da época ou homenagens a filmes como Freaks. A temporada também ganhou destaque por ser a primeira que estabeleceu conexões com as histórias dos anos anteriores, indicando que, provavelmente, as tramas se ligarão futuramente, com personagens consagrados estabelecendo esses ganchos. Apesar de melhor estruturada, não faltaram críticas, especialmente em alguns episódios que deixaram o suspense de lado e mergulharam em um drama digno de filmes de época, incluindo um cansativo discurso de igualdade social entre as aberrações e a sociedade. 

Com uma quinta temporada já confirmada (com boatos de que será uma história contemporânea sobre Hollywood ou abduções alienígenas) a expectativa é que American Horror consiga lidar com a possível saída de Lange (e ficar sem A protagonista) e encontre uma temática que ainda não tenha sido explorada nos anos anteriores, com situações e personagens interessantes. O próximo ano será decisivo em manter a série como uma das produções mais ousadas da TV e consolidar-se como uma referência, uma vez que cada vez mais produções de suspense e terror ganham as telinhas e a concorrência aumenta a cada ano. Dependerá de Ryan evitar os erros de ritmo e roteiro das últimas temporadas e dar mais do que o público quer: boas atuações, personagens interessantes, situações bizarras e aquela ansiedade causada pelas boas histórias de suspense (e se possível mais Jessica Lange cantando David Bowie, por favor).


10 de agosto de 2014

Lançamentos Musicais - Primeiro Semestre 2014

Shakira - Shakira

No novo trabalho da cantora colombiana é fácil perceber os momentos de Shakira apaixonada e inspirada e aquelas faixas que parecem ter entrado só para cumprir tabela. Da parte mais pessoal, o relacionamento com Piqué é o tema central, como fica evidente nas boas 'Broken Record' e '23', em que é possível até ouvir o riso de Milan, filho do casal. Como não poderia faltar, ainda temos momentos mais agitados, com a ótima (e quase esquecida) Chasing Shadows e o primeiro single, o dueto sensual com Rihanna, Can't Remember to Forget You, que apesar de não ter feito o sucesso esperado, figura como um das melhores faixas do álbum. Como a própria cantora admitiu ter se envolvido menos na produção musical dessa vez, fica a impressão de que várias faixas poderiam estar na voz de qualquer pop-princess e alguns momentos parecem sobras de outros trabalhos. Menos redondinho que o álbum anterior, Shakira tem boas músicas encobertas por produções sem personalidade, um pecado quando se trata da cantora colombiana mais querida do pop. 

Fernanda Takai - Na Medida do Impossível 

O novo álbum de Fernanda Takai merece destaque por não se parecer com os trabalhos do Pato Fu nem com o projeto anterior da cantora, com a releitura da obra de Nara Leão. Na Medida do Impossível, entretanto, está longe de ser uma ruptura: o estilo doce de Takai está presente nas 13 faixas do novo projeto e serve de fio condutor do trabalho, em que a cantora visita diferente estilos musicais. Seu Tipo, parceira com Pitty, é charmosa, enquanto A Pobreza (Paixão Proibida) ganha ares dramáticos para contar sobre um amor proibido. Outras parcerias também rendem bons momentos, indo de  Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme com Zélia Duncan, passando pela bela Pra Curar Essa Dor com Samuel Rosa e até uma parceria inusitada com o Padre Fábio de Melo. Suave a agradável de escutar, Na Medida do Impossível, é um daqueles álbuns para deixar tocando e acompanhar a viagem musical de Takai, sem grandes variações ou surpresas. 

Silva - Vista Pro Mar

Depois de uma estreia aclamada, Silva passou rapidamente de 'relevação' para 'nova promessa da MPB'. Diante de tanta pressão, o cantor capixaba apresenta o segundo trabalho, Vista Pro Mar e firma seu posto na música brasileira, com canções 'ensolaradas' e bem produzidas. Menos variado que o ótimo Claridão, Vista Pro Mar é também e menos pop que o antecessor. A impressão que em busca de uma unidade sonora, algumas músicas acabam passando desapercebidas e demora para o álbum fixar na memória. O destaque continuam sendo as boas letras do cantor capixaba e a produção elaborada, longe do pop fácil das 'mais pedidas'. O destaque vai para o dueto com Fernanda Takai na ótima Okinawa.  

Lana del Rey - Ultraviolence

A musa dos clipes com filtros do Instagram passa pela prova do segundo álbum com seu Ultraviolence e prefere seguir a máxima de não mudar o time que está ganhando. Com um produção mais elaborada que Born to Die, o charme blasé de Lana, com sua voz sussurrada, continua sendo explorado ao máximo em músicas com sonoridade retrô como The Other Woman, Black Beautiful e o primeiro single West Coast, que já se afasta da imagem colorida de Katy Perry e demonstra essa evolução musical de Lana, contribuição de Dan Auerbach, do BlackKeys. Ultraviolence não mudará a opinião de quem acha Lana forçada ou tediosa, nem dos fãs que a veneram como uma musa, mas prova que a cantora encontrou seu nicho, estilo e sabe trabalhar muito bem dentro da sua proposta. 

5 de abril de 2014

Comentário - Morte Súbita de J.K Rowling

Demorei para finalmente ler Morte Súbita. Tinha medo que o primeiro romance adulto da escritora de Harry Potter nos fizesse pensar que a saga do bruxo tinha sido mais um golpe de sorte do que talento. Besteira. Se o livro não é uma obra-prima avassaladora, ao menos comprova o talento de Rowling em criar histórias envolventes, universais e entreter o leitor. 

As diversas tramas se passam em uma pacata vila inglesa, em que os tradicionais moradores vivem uma aparente imutável rotina há décadas. Quando um dos membros mais carismáticos do local morre inesperadamente (como já anuncia o título), os segredos e mentiras construídos por anos começam a ruir e, pouco a pouco, os aparentemente impecáveis moradores do local começam a mostrar o lado mais…. ‘humano’. 

Como toda obra com várias histórias paralelas e diversos personagens, nem sempre há espaço para um bom desenvolvimento e algumas boas histórias acabam apressadas, desperdiçadas no meio do caminho para dar espaço para acontecimentos sem muita importância. Nesse sentindo, Rowling prefere criar dezenas de personagens típicos como a ‘dona de casa entediada’, ‘a vítima de preconceito’ ou ‘a adolescente problemática’ do que focar e desenvolver com complexidade alguma das histórias que montam seu quebra-cabeça. 


Da série que a tornou famosa no mundo inteiro, Rowling continua dando um destaque especial para os adolescentes e parece bem mais familiarizada a escrever sobre as angústias de jovens que querem sair da cidade pequena do que a crise de meia idade por que passam os personagens ‘maduros’. Os jovens, inclusive, protagonizam os principais momentos da trama e são responsáveis pelas grandes revelações. Os adultos, em geral, só reagem a esse acontecimentos.

Para certificar-se de que a história não seria confundida com seus livros anteriores, Rowling também parece ter passado por uma listinha de temas ‘adultos’ em cada capítulo, algumas vezes até forçando a mão em revelações e acontecimentos que parecem não levar a nada, como um estupro que pouco é comentado nas páginas seguintes.  

Com um ritmo lento no começo, em que cada personagem é apresentado dentro da rotina da cidade, Morte Súbita engrena mesmo quando os segredos começam a aparecer. Pena que quando já estamos íntimos daqueles personagens, com seus defeitos e características, a história termina um tanto apressada, principalmente diante dos acontecimentos finais. Para os que ainda estão em dúvida sobre Morta Súbita, pode ler sem medo e escolher dentre as diversas tramas, aqueles que você mais gosta ou se identifica. 

1 de dezembro de 2013

Segundo Semestre 2013 - Prism, ArtPop, Bangerz e Britney Jean

Se na primeira metade de 2013 quase não tivemos novidades das ‘divas’ do pop, o segundo semestre foi recheado de vários lançamentos e as já famigeradas brigas de fãs para defender as musas. Entre tantas polêmicas e lançamentos, quatro álbuns se destacam: 

Katy Perry - Prism   

Depois de Teenage Dream e oito singles de sucesso, Katy Perry passou de ‘aposta’ para o primeiro escalão do pop. Nas primeiras declarações sobre o novo trabalho, Katy dizia que o terceiro álbum de estúdio seria mais pessoal e menos alegre que os antecessores. A cantora nem precisava ter colocado fogo na peruca azul ou 'armar um funeral' da era anterior, já que Prism está longe de ser uma ruptura anunciada, apesar de ser o mais diversificado de sua carreira.

Enquanto os álbuns anteriores tinham conceitos e sonoridades bem definidas, como a estética pin-up de One of The Boys ou a divertida narrativa da adolescência em Teenage, Prism aposta em várias direções, sem, entretanto, se aprofundar em nenhuma referência. Entre os destaques, o primeiro single, Roar, faixa de superação com aquela pitada de autoajuda que faz sucesso hoje em dia, demonstra o quanto Katy sabe fazer hits com refrões pegajosos e poderosos. Walking on Air é a música mais dance já produzida pela cantora e poderia facilmente ser lançada como single para incendiar as pistas de dança, assim como Birthday, claramente inspirada no som de Whitney Houston e Mariah Carey no começo da carreira. O restante das faixas, entretanto, soam bem menos memoráveis que os trabalhos anteriores de Katy e carecem de identidade ou diferencial: This Is How We Do, por exemplopoderia facilmente estar em um álbum de Rita Ora ou Selena Gomez. 

Se por um lado Katy ganha pontos por não tentar fazer uma segunda parte de Teenage Dream, por outro, fica a impressão de que o conceito de Prism foi alterando-se durante a produção e resultado é um conjunto de canções que não se completam 100%. Não que Katy, que se esforça em fixar suas músicas no cenário pop, não consiga reverter essa situação com bons clipes e enorme popularidade. 

Lady Gaga - ArtPop 

Lady Gaga soube como manter o mistério sobre ArtPop, especialmente após o sumiço com a operação no quadril. Depois de tantos meses de trabalho e promessas de “uma revolução musical”, as experimentações com Marina Abramovic parecem funcionar e ArtPop revela-se uma celebração à música pop, com referências claras e um retorno da cantora ao som que a tornou uma sensação na música há alguns anos atrás. Só não deixe-se enganar: há mais pop do que arte nesse trabalho. 

Se com Born This Way a cantora afastou parte dos fãs com bizarrices, discursos de autoaceitação e uma sonoridade menos pop, ArtPop traz de volta as canções dançantes e despretensiosas e nos faz lembrar que, além dos figurinos exuberantes, Gaga canta bem, tem boa produção e propriedade para fazer um álbum com nome tão abrangente. Essa vontade de revelar-se novamente fica clara em Aura, em que Gaga pergunta: “Você quer ver a garota que vive por trás da aura?” ou em uma das melhores faixas do trabalho, a homônima ArtPop. Nesse processo de ‘descobertas’ e reflexões, há momentos divertidos como Manicure, Donatella (sim, a dona da Versace), as celebrações da moda (Fashion) e do próprio espetáculo (Applause). Pena que o segundo single acabou sendo alterado com a mediana Do What U Want já que Venus é infinitamente mais interessante. 

ArtPop parece o trabalho de transição que faltou entre The Fame e Born This Way, com mais diversão e menos bizarrices gratuitas. Pelas últimas apresentações e clipe, podemos ter uma nova fase bem mais simples em figurinos ou produções, mas com uma cantora mais segura do seu potencial, extensão de voz e sem aquele discurso de autoajuda que ultimamente já estava tedioso. Fica a sensação, entretanto, de que o álbum não tem uma música capaz de repetir o sucesso estrondoso de Bad Romance ou mesmo Poker Face, o que poderá representar em uma queda da popularidade e poder midiático da cantora. Outra questão é que a anunciada revolução, que contaria com um aplicativo, um possível álbum duplo e experimentações musicais, acabou ficando só como um boato. Melhor assim, talvez: sem a pretensão de ter ‘o hino da geração’, Gaga não precisará lançar qualquer coisa só para continuar no topo da Billboard.  

Miley Cyrus - Bangerz 

Quem diria que a ex-queridinha-da-Disney se tornaria uma das personalidades mais controversas e comentadas de 2013? Depois da polêmica apresentação no VMA, aparecer nua no clipe dirigido por Terry Richardson e fumar maconha no palco do EMA, Miley apagou de vez o passado como Hannah Montana e conseguiu chamar atenção para Bangerz. Se a estratégia foi forçada ou se ela está se queimando, só o tempo dirá. O resultado, por enquanto, é que muitas pessoas que jamais ouviriam Miley deram o braço a torcer e Bangerz já está entre os grandes lançamentos do ano. 

Miley disse que esse trabalho deveria ser considerado como o primeiro disco, um recomeço total na carreira. Analisando por essa perspectiva, Bangerz é uma estreia com bons momentos, capaz de brigar com as ‘veteranas do pop’, apesar de não ter nenhuma inovação ou mesmo ousadia: faltou rebeldia em grande parte do álbum, só aparecendo algumas vezes como na ótima ‘We Can’t Stop’ (oferecida originalmente à Rihanna) ou  em Love, Money, Party. Fora a polêmica, Miley também mostra que é uma boa cantora no single Wrecking Ball, sobre um relacionamento destrutivo ou na ótima Drive. Em SMS (Bangerz), há até um dueto rapidinho (e um tanto apagado) com outra princesa-disney que se rebelou: Britney Spears. 

Entre várias participações (algumas bem desnecessárias), Get It Right destaca-se pela produção de Pharrel e Adore You, escolhida como terceiro single, mostram que Miley tem potencial em permanecer nas paradas de sucesso e que pode chamar atenção e marcar seu nome na música pop além das polêmicas e declarações chocantes. Se Bangerz é só o começo, estaremos esperando pelos próximos passos de Miley!

Britney Spears - Britney Jean

Mesmo sem a divulgação maciça, só o nome de Britney já é suficiente para que as expectativas sejam altas e seus lançamentos sempre causam comoção na internet. Para aproveitar o melhor desse novo trabalho, esqueça todos os boatos de que a Princesa do Pop iria revolucionar a música ou cantar como nunca antes: Britney Jean é um típico álbum de Britney, com toda a experiência de quem está há anos esse jogo. 

Se o primeiro single, Work Bitch pareceu não ter feito o sucesso esperado, apesar do clipe que relembra seus melhores momentos, Britney ainda tem boas opções para apostar, como Perfume, uma baladinha como há muito tempo Britney não lançava ou Tick Tick Boom, que surge como uma das preferidas dos fãs. Apesar da variedade de produtores e colaboradores, que vão do famigerado parceiro Will.i.am, Sia, Katy Perry e até William Orbit (responsáveis por alguns dos melhores momentos de Madonna), há uma unidade entre as música, o que faz com que Britney Jean seja um daqueles álbuns para se ouvir repetidamente, sem cansar tão fácil. 

Em seu oitavo álbum, Britney não tem mais a necessidade de provar seu talento, se consegue cantar ao vivo ou sua relevância na música pop. O álbum pode não estar fazendo o sucesso esperado nas vendas, nem se tornar um marco na música, mas parece o trabalho mais pessoal de Britney desde Blackout. Ela pode não ser a mais talentosa das cantoras, nem divulgar seu trabalho como antes, mas Britney Jean mostra que que a melhor habilidade de Britney sempre foi escolher músicas contagiantes, que se tornam hinos do pop sem pretensão ou por imposição, como as novatas tentam fazer.  

25 de maio de 2013

Crítica: Marisa Monte - Verdade Uma Ilusão



 
Quando foi lançado, O Que Você Quer Saber de Verdade dividiu opiniões, tanto da crítica quanto dos fãs da, até então, intocável Marisa Monte. Muitos não entenderam o repertório mais popular do álbum, que se distanciava dos últimos trabalhos da cantora, como Infinito Particular. Em entrevista para a Bravo!, Marisa falou sobre essa mudança: o objetivo de reconquistar o grande público e ser tão popular quanto as novas cantoras que surgiram nos últimos anos. A diva intocável no pedestal desceu do Olimpo e quis estar novamente na boca do povo, trilhas de novelas e entre as mais tocadas das rádios.  

Se o álbum tinha o objetivo de fazer as pazes da cantora com o grande público, a turnê Verdade, Uma Ilusão trilha o mesmo caminho, sendo o show mais acessível, colorido e agradável da artista nos últimos anos. Mesmo quem nem é fã de carteirinha ficará impressionado por saber cantar (ou só murmurar) grande parte das letras dos sucessos apresentados no repertório. Não que se trate de um daqueles shows que bandas ou artistas decadentes fazem para comover os fãs e levantar um dinheiro extra. Longe disso. Marisa não usa o passado como uma medalha piegas de que um dia fez sucesso, mas como uma bagagem de quem já tem clássico e soube, como poucas, controlar a direção de sua carreira e amadurecimento artístico. Além disso, o esmero na produção do show, com as projeções e iluminação, torna cada música (mesmo as antigas), uma nova descoberta.

Logo na abertura, com a música título, projeções fazem um jogo com as cores e formas que remetem a capa do álbum e estabelecem o tom do espetáculo. Nesse sentido, Marisa merece aplausos por não cair no problemas da maioria das produções nacionais que utilizam os recursos audiovisuais sem nenhum sentido pré-estabelecido, só para dar um "colorido" no show. Pontuando as músicas nos momentos certos, as projeções ajudam a expandir os sentidos das composições, sem nunca desviar a atenção da cantora, confundir ou cansar o público.   

Em cerca de uma hora e quarenta minutos de espetáculo, ouve-se sucessos mais antigos, como Na Mira (Eu Sei), Beija Eu e a belíssima De Mais Ninguém. Dos últimos anos, também estão lá A Sua, Gentileza, Não Vá Embora e Infinito Particular. Entre os hits, Marisa aproveita para mostrar também as músicas do último álbum, mas sem deixar os ânimos esfriarem. Depois e Ainda Bem são novidades que empolgam e são cantadas em alto e bom som pelo público, comprovando que o objetivo de se divulgar novamente em aberturas de novelas e rádios rendeu pelo menos dois novos sucessos para o repertório. Não deixando nenhuma fase de fora, incluiu-se também dois sucessos do Tribalistas: Velha Infância e Já Sei Namorar

Entre as surpresas da turnê, E.T.C, parceria de Marisa, Arnaldo e Brown, é apresentada pela primeira vez em um show da cantora e ganhou uma nova roupagem, mais próxima do tango. Nesse momento, ela aproveita para celebrar o talento de Cássia Eller. "Saudades não é sentir a ausência, mas a presença de alguém", diz. Outra homenagem acontece no momento mais sensual do show, com Sono Como Tu Mi Vuoi,em que Marisa declara a admiração por Mina Mazzini e o desejo de gravar um dueto, que acabou rendendo a regravação de Ainda Bem por Mina.
Se nos dvds e vídeos Marisa sempre parece um tanto fria, ao vivo ela se mostrou bem carismática, animada e até permitiu que um fã cantasse o trecho de Arnaldo Antunes em Amor I Love You, já no bis. "'É uma emoção quando vocês cantam comigo, mas é ainda melhor quando vocês fazem o backing vocal", disse rindo e pedindo para que a platéia cantasse novamente o refrão do sucesso de 2000, agora em uma versão "voz e violão". É a Marisa "novamente popular", querendo ouvir suas músicas sendo cantadas por todos e não apenas sendo idolatrada pelos críticos cults. 

Bem que se Quis, primeiro sucesso de Marisa, é cantado à cappella e a iluminação vai baixando. Quando o público está imerso na nostalgia da canção, ela sai do palco calmamente, sem se despedir, para não estragar o momento. No escuro, sem nenhuma projeção ou truque, Marisa prova que ainda é uma das cantoras mais interessantes e cativantes da MPB.