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29 de junho de 2017

Por que gongar Katy Perry se tornou pop?


Você pode até não gostar dos videoclipes coloridos e dos refrões grudentos, mas é inegável que Katy Perry era uma hitmaker digna de figurar no Olimpo do Pop atual. A cantora acumulava sucessos nas paradas, visualizações no Youtube, mobiliza uma legião de fãs, os katycats, e ainda mantém o feito de ser a celebridade mais seguida no Twitter, com 100 milhões de fãs. Com o lançamento de Witness, porém, a invencibilidade da cantora pareceu sofrer pela primeira vez um certo descaso por parte da mídia e do público em geral, com os haters já anunciando precocemente o primeiro grande fracasso na carreira. Gongar Katy se tornou pop, mesmo que sem um motivo real.


De Pin-Up moderna à testemunha da geração: 

Pode até parecer um passado distante, mas em 2008 Katy Perry surgia na mídia como uma mistura de pin-up moderna com uma boa dose de humor que cantava sobre namorados metrossexuais, homens indecisos, desejos por outras mulheres e noites de bebedeira em Las Vegas. Não demorou para Madonna apontar a artista como uma das queridinhas do momento, posto que ocupa até hoje. A consagração como diva pop definitiva, porém, viria com o segundo trabalho, o bem sucedido Teenage Dream (2010) que conquistou o mérito de ser ter cinco singles no topo das paradas, marca anteriormente só atingida por Michael Jackson.

O aguardado próximo passo da artista veio com Prism (2013), que se afastava um pouco da estética pin-up para seguir o lado mais pop e colorido, mas sem quebrar os padrões dos trabalhos anteriores. Apesar de não ter o mesmo recorde nas paradas, Prism ainda conseguiu emplacar dois grandes hits, Roar e Dark Horse, com o feito do clipe bater o 1 bilhão de visualizações do Youtube. Ao mesmo tempo que seguia popular, entretanto, era inegável que a estética divertida da cantora precisa ser reciclada se quisesse evoluir artisticamente.

É curioso, portanto, que no momento que Katy assumiu o risco de explorar um novo visual e sonoridades parte dos fãs não compreendam essa nova abordagem e fiquem tão presos aos momentos anteriores. É a primeira vez que a cantora se despe da personagem, já que apesar de não se fantasiar explicitamente como Lady Gaga no começo da carreira, Katy com seu visual pin-up, roupas coloridas e acessórios espalhafatosos era também uma construção, uma máscara de escapismo pop. Não à toa Katy contou durante a divulgação que o cabelo loiro da nova fase é uma tentativa de se afastar da imagem áurea de Katy Perry e retomar a aparência que mantinha antes da fama mundial, quando ainda era conhecida como Katy Hudson.

Enquanto cantoras como Lady Gaga, Rihanna e Beyoncé foram recentemente celebradas justamente por apostarem em trabalhos mais pessoais e 'conceituais', longe de fórmulas comerciais e de personagens sensuais, Katy parece sofrer uma desconfiança, como se a questão de vendagem ainda fosse mais importante no fim das contas.

Witness é um flop? 

Apesar de já ser associado como um novo Bionic da geração, no geral, Witness conseguiu uma boa vendagem na primeira semana de lançamento e quebrou a marca de videoclipe mais visualizado no Youtube no primeiro dia de lançamento com os 14 milhões de acessos de Bon Appetit. Mesmo assim, para os haters o sinal de fracasso é evidente já que pela primeira vez o carro-chefe da cantora, Chained to the Rhythm não atingiu o topo das paradas, mesmo com a boa divulgação. Para quem já acredita no fim da carreira da cantora, porém, há ainda uma turnê mundial já marcada para começar em setembro, a Witness Tour, com etapas americanas e européia confirmadas, o que servirá de divulgação e consolidação dessa era como uma mudança passageira ou um novo posicionamento artístico real.
Retornando ao visual do começo da carreira
Quanto a questão musical, Witness não abandona os hits dançantes escapistas, como Bon Appetit, mas expõem questões mais pessoais, como a decepção com a própria geração alienada (Chained to the Rhythm), a famosa briga com Taylor Swift, o posicionamento como uma mulher madura e momentos românticos como a procura por uma 'testemunha' para fazer a vida valer. Sem pretensão de revolucionar ou ditar novos padrões na música, Witness ganha pontos justamente por não tentar simular os sucessos passados e mostrar uma evolução real de Katy Perry. Pode não ser uma obra-prima definitiva, mas indica que a cantora está livre para testar novos timbres, novas temáticas e possibilidades. O que não deixa de ser mais interessante do que lançar um Teenage Dream Parte II, como clamam alguns fãs.

Se a era Witness será marcada como um primeiro grande fracasso de Katy ou um amadurecimento necessário para os próximos trabalhos, ainda não há como afirmar. Por hora, só podemos testemunhar esse novo passo da cantora.

3 de abril de 2013

Nostagia na Cultura Pop – O Retorno dos Grandes Ídolos



Não há como negar: estão faltando ídolos. Seja na música, cinema ou até mesmo na literatura, qual nome atual é capaz de despertar a paixão e interesse dos astros de antigamente? Em uma era em que todos pode se tornar um fenômeno de popularidade, sem a necessidade de uma habilidade especial, é cada vez mais difícil aparecer alguém realmente interessante. Se, por um lado, nunca estivermos tão perto dos nossos ícones, por outro, percebemos mais facilmente suas fragilidades, problemas pessoais e acabamos perdendo a idolatria. Sem as redes sociais ou internet, nossa imagem dos astros era sempre imaculada: sorridentes em entrevistas, impecáveis em bailes ou brilhando nas telas e palcos. Não sabíamos que eles se matavam na academia, que tinham problemas com drogas ou que saiam de casa vestindo pijama. É difícil acreditar que Britney Spears é incrível, depois de ver milhares de fotos dela acima do peso e com roupas comuns no dia a dia. Hoje, qualquer passo dos famosos é registrado, compartilhado e gera um rápido debate. Eles estão cada vez mais como nós.

Na música pop, Lady Gaga parecia recuperar o glamour das grandes estrelas, com ousadias e polêmicas calculadas que despertavam o interesse do público e da mídia. Os excessos, entretanto, acabaram esgotando sua imagem e seus fãs terminaram reduzidos a uma "panelinha". Justin Bieber é outro que já reclama dos efeitos da fama: em um recente show, passou mal, foi parar no hospital e saiu brigando com os fotógrafos. A contradição é que, ao mesmo tempo em que cobrava privacidade, publicava fotos de cada acontecimento em sua conta no Instagram. A mídia continua tentando encontrar quem será capaz de despertar o interesse do grande público e se tornar "A Voz de Uma Geração": Lana Del Rey parecia incrível, até que cantou ao vivo... Adele vendeu milhões, mas parece mais preocupada com a família do que manter a fama. Rita Ora, Jessie J, Nicki Minaj, One Direction... nomes não faltaram nos últimos anos como grandes revelações, que acabaram não vingando ou perdendo o interesse do grande público. Na falta de uma novidade realmente interessante, os "retornos musicais" nunca foram tão alardeados. Artistas consagrados que há anos não lançavam nada estão tendo que correr para cativar um público sedento por grandes ídolos.

Só no ano passado, Madonna provou que ainda dá um banho na concorrência com a turnê MDNA. No Doubt, Mika, Nelly Furtado, Christina Aguilera e P!nk foram alguns dos grandes nomes que também lançaram material inédito após anos. Alguns tiveram retorno comercialmente, outros só conseguiram a apreciação da crítica. O importante foi colocar seus nomes, novamente, na lista de músicas das novas gerações. Nesse ano, tivemos o aguardado retorno do Príncipe do Pop: Justin Timberlake, que tinha estacionado a carreira de cantor para se dedicar ao cinema. Beyoncé, que nunca dormiu no ponto quando o assunto é ganhar dinheiro, também aproveitou a falta de grandes nomes atuais para anunciar uma nova turnê, depois da recepção fria do álbum 4 e o nascimento do bebê. O retorno mais inesperado e midiático, entretanto, foi o anúncio de David Bowie, quase uma década depois de praticamente sumir dos holofotes. O Camaleão do Rock provou que ainda consegue dar uma aula para as novas gerações de músicos e fez o projeto que queria, no tempo que determinou.


No cinema, a situação não é diferente: Hollywood e o público estão saudosos dos tempos dourados. A última cerimônia do Oscar mostrou o desespero da Academia em tentar premiar jovens talentos, como Jennifer Lawrence ou Anne Hathway, como se quisesse indicar "rostos novos" para serem idolatrados. O público, porém, não se convence mais só com um prêmio dourado: Hathway se tornou motivo de chacotas na internet por seu vestido e a fama cada vez maior de ser arrogante e antipática. Já Jennifer Lawrence pode representar bem o estilo "descolada", mas terminou sendo um dos assuntos mais comentados da noite ao cair na escadaria, quando ia receber seu troféu de melhor atriz. 

Nisso, Hollywood aponta para o passado como algo imbatível. Filmes como A Invenção de Hugo Cabret, O Artista e Sete Dias com Marilyn já mostravam essa tendência em buscar nas origens do cinema as possibilidades de encantar os novos espectadores. Grandes astros como Marilyn, Hitchcock e Elizabeth Taylor já rederam longas que procuram, mais do que mostrar suas histórias, ressaltar o que os tornavam únicos. A próxima aposta é Grace de Mônaco, com Nicole Kidman no papel do ícone Grace Kelly. Para um público cada vez menos acostumado a escolher o filme pelos atros, rever essas grandes estrelas é uma viagem ao passado.

Um comercial recente de chocolates causou polêmica (como tudo hoje em dia), ao ser protagonizado por uma Audrey Hepburn digital. A questão sobre “direitos de imagem” ou “apropriação da memória” podem ser debatidas, mas, talvez, o comercial só quisesse mostrar como Audrey era encantadora, delicada e elegante. Quem, atualmente, teria a mesma graciosidade da Bonequinha de Luxo para comer um chocolate no ônibus e soar totalmente plausível? Acreditamos que Audrey é incrível, talvez, por não sabermos como ela era no dia a dia, por não termos fotos dela no Instagram, por não acompanharmos o twitter onde ela descreveria seu cotidiano. Nossa imagem é apenas da mulher imaculada, a diva que sai do seu castelo de sonhos e entrega para nós um pouco de encanto. 

Por isso, não é estranho pensar que Gaga se inspire em Madonna, que grandes atrizes queiram interpretar ícones do passado, que se lotem as fotos e clipes com filtros do Instagram ou que o retorno de David Bowie seja encarado quase como um messias musical. O passado nunca pareceu tão atraente. O problema é que quando paramos para analisar,os grandes ídolos nunca foram infalíveis, nem tinham a pretensão de mudar o mundo... não podemos cobrar deles se nossa geração é fraca de conteúdo. Não será admirando o passado que manteremos a cultura pop viva.

13 de agosto de 2011

Madonna 53 anos - O que podemos comemorar?

Madonna no trono, como "Rainha do Pop" em sua última tour

Ela está velha, é feia, não tem talento, é chata, não causa mais polêmica, passou da hora de se aposentar, não sabe mais como chamar a atenção.... 

Essas são críticas comuns a Madonna Ciccone, ou só Madonna, como é conhecida no mundo inteiro. Mesmo se depois de mais de duas décadas como a “Rainha do Pop” não bastassem, Madonna ainda tem, e muito, o que nos dizer. Como um dos símbolos máximos da cultura pop, nenhuma outra cantora chegou aos seus patamares de popularidade, vendas ou influência. Se ela se aposentasse da música e dedicasse o resto dos seus dias sem fazer nada ou simplesmente lançando seus filmes, como diretora ou produtora, ainda assim, seria impossível menosprezar o talento dessa “loira ambiciosa”, que queria dominar o mundo na década de 80, gerou polêmicas nos anos 90 e começou o século XXI como a “mãe da re-invenção”.

O problema é que a cultura pop não tem memória. Os ídolos de uma geração são os astros decadentes da próxima década. Nisso, esqueceu-se que Madonna surgiu nos anos 80, época em que não existia Internet ou a troca tão rápida de informações, e soube, como poucos, reconhecer e dar ao seu público o que ele precisava no momento. No começo da carreira, por exemplo, ela era a expressão dos anos 80, no auge de seus excessos, influências do punk e um misto de inocência e malícia que conquistou rapidamente as paradas musicais do mundo inteiro. Mas isso não faria dela especial ou diferente, já que muitos outros artistas expressavam isso, com até mais talento para cantar e dançar. A jovem com sede de fama sabia que precisaria de algo a mais para se destacar...

Madonna e as "re-invenções" de sua imagem
Com o surgimento e popularização da MTV, como propulsor das novas tendências musicais e comportamentais para os jovens, Madonna e Michael Jackson foram pioneiros ao criarem videoclipes tão famosos que eram capazes de marcar mais que a própria música. Se com a televisão o mundo tornou-se ainda mais imagético, a força da música pop seria ligada diretamente a imagem que o artista representava. Não bastava só cantar, era necessário ter uma imagem forte o suficiente para gravar na cabeça dos adolescentes e fazer com que eles comprassem os discos e quisessem imitar as roupas, os gestos e o estilo de vida dos novos astros. Nisso, surgiram os primeiros personagens de Madonna, como a virgem que rola pelo chão sensualmente e a garota materialista que se inspira em atrizes de Hollywood para destruir corações.  

O segundo elemento que fez Madonna permanecer relevante por 25 anos, foi perceber a efemeridade da música pop e saber se "re-inventar" a cada tendência e novidade musical. No mundo de Madonna não há lugar para a repetição, mesmo com as coisas que fizeram sucesso. No lugar de  continuar com suas músicas como Holiday, a cantora foi mudando sua imagem, sonoridade e até postura ao longo do tempo. Dessa forma, quem vê a deusa do sexo simulando masturbação na escandalosa turnê Blond Ambition pode estranhar a imagem de guerrilheira politizada que se apresentava na divulgação de American Life ou a bruxa que voa pelo deserto no clipe de Frozen. Madonna, na busca pela re-invenção acabou flertando com a música country, com o rock, com a música alternativa, com o R&B, o dance e o hip-hop. O diferencial, é que essa mudança é sempre baseada em influências marcadas, com polêmicas inteligentes e que continuavam soando como Madonna. 

As várias faces de Madonna em duas décadas de carreira
Madonna muda porque a sociedade muda. Para o bem ou para o mal, ela é o que nós somos, como diz o título de seu documentário. Podem dizer que ela está velha ou fora da moda, mas a Rainha do Pop chega nesse mês aos seus 53 anos preparando mais um álbum de inéditas, que já desperta curiosidade e interesse na mídia e nos fãs do mundo inteiro, além de lançar seu longa W.E, em que foi diretora, produtora e roterista. Nesse aniversário, poderíamos apenas celebrar o que Madonna já fez, mas isso seria pouco para essa mulher que ousou debater publicamente sobre sexo, política e religião e ainda teve tempo de se acabar nas pistas de dança e curtir a vida. Não sabemos como será a nova Madonna, mas podemos deduzir que, de certa forma, ela refletirá o que somos.

“Em todo o meu trabalho, o objetivo é nunca ter vergonha: de quem você é, do seu corpo, dos seus desejos, das suas fantasias sexuais. (...) As pessoas têm medo de seus próprios sentimentos, medo do desconhecido. E o que eu estou falando é: Não tenha medo”  
Madonna