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8 de junho de 2014

True Blood - O que esperar da última temporada?

Após mais de sete anos, True Blood começará sua temporada final e, se por um lado a série já não está mais entre as mais populares do momento, por outro, ainda figura como uma das maiores audiências da HBO (apesar das quedas nas últimas temporadas) e deixou marcas na cultura pop, como uma das produções mais sensuais da atualidade e o retorno das histórias adultas com vampiros, mais próximos das criações de Anne Rice que Stephenie Meyer. 

Quando estreou, o conceito da série era bem interessante: com a criação de um sangue artificial, os vampiros revelaram-se e passaram a viver em sociedade, aprendendo a lidar com relacionamento entre mortais, disputas de poder e grupos de humanos que os caçavam (muitas vezes utilizando argumentos religiosos). Na série, os vampiros eram como um grupo de minoria, com uma diferença: o poder e sabedoria de séculos de existência. 

Em uma época em que a moda eram os jovens vampiros veganos, True Blood trouxe de volta o vampiro perigoso, poderoso e extramente sedutor, respeitando as regras ‘tradicionais’, como queimar na luz do Sol, precisar de sangue humano ou morrer com uma estaca no peito. 

A produção foi beneficiada com a fotografia elaborada e a direção de arte que se esforça em enfatizar o Sul dos Estados Unidos como um ambiente agressivo, dando a sensação de que estava sempre muito quente, úmido e, por isso, os personagens deveriam permanecer com pouca roupa a maior parte do tempo. O principal destaque, entretanto, não era nem a parte técnica, mas o elenco afiado e personagens carismáticos, como o cozinheiro travesti, a vampira recém-criada Jéssica ou a irônica Pan, um destaque que foi crescendo ao longo da trama sem perder seu mau humor habital e comentários pertinentes. Como triângulos amoroso rendem bons conflitos, True Blood também teve seus momentos, com a protagonista Sookie dividia entre o aparentemente bom-vampiro Bill e o ameaçador Eric, um dos queridinhos do público. 


É uma pena que esses bons elementos foram dando destaque à tramas paralelas que não acrescentavam nada à história ou resultavam em uma reviravolta que não condizia com o desenvolvimento das personagens, soando como tentativas forçadas em manter a atenção do espectador. Outro exagero foram os seres fantásticos em cena: em determinado momento, estávamos com uma quantidade enorme de vampiros, fadas, bruxas, metamorfos, lobisomens e até uma mênade disputando nossa atenção. Com os anos, True Blood revelou-se uma série com altos e baixos no roteiro, especialmente com a saída do produtor Alan Ball na quinta temporada, de longe a menos interessante.

Na sexta temporada, alguns elementos pareceram voltar aos eixos e prepararam caminho para uma última temporada intensa, novamente focada nos vampiros e sem tantas reviravoltas ou novos seres fantásticos. Para quem vai acompanhar as últimas aventuras de Sookie, talvez seja bacana relembrar os bons e maus momentos que a série passou nos últimos tempos e conseguir aproveitar esses últimos episódios em um misto de saudosimos e esperança de um final triunfante para os personagens de Bons Temps.

1 de julho de 2012

Crítica - Sombras da Noite de Tim Burton


Agora é moda falar mal de Tim Burton. Criticam a direção fria, visual sombrio, personagens estranhos e a presença dos mesmos colaboradores, dos protagonistas  ao excelente Danny Elfman na trilha sonora. Muitos esquecem que esses elementos são marcas registradas do diretor, motivos que o tornaram tão famoso. Também esquecem que a carreira de Burton não é linear ou recheada apenas de sucessos: para cada Peixe Grande e Edward Mãos de Tesoura, temos um Marte Ataca! ou Planeta dos Macacos. Dizer que ele "perdeu a mão" é precipitado.

A nova parceria com o amigo Johnny Depp e com a esposa é Sombras da Noite, filme inspirado na série de televisão dos anos 60 que abordava os acontecimenos sobrenaturais que rondavam a família Collins, que recebe a visita de um parente vampiro, Barnabas, que dormiu por 200 anos depois de ser amaldiçoado por uma bruxa com quem teve um romance. Como em outras obras de Burton, o filme apresenta uma releitura dos elementos que fizeram parte da infância do diretor, que foi recheada de filmes de monstros e histórias de terror. Entre erros e acertos, o resultado é bom filme, que ganha força justamente por não se levar tão a sério.

Como adaptação de uma serie de televisão, o filme acaba prejudicado pela grande quantidade de personagens e histórias sem desenvolvimento. Se na telinha o excesso de tramas paralelas ajuda a manter a audiência, no cinema acaba soando apressado. Dessa maneira, bons personagens, como a psiquiatra alcoólatra vivida por Helena, acabam sem o destaque que mereciam. A trama do jovem David, atormentado pela mãe que morreu afogada, é esquecida em boa parte do filme e só volta ao destaque quase no fim. A própria Victoria, que seria a protagonista da históra, perde força no decorrer da trama. Vale ressaltar também que o todo o ato final soa forçado, com pontas soltas em busca de ganchos para continuações, uma possível exigência do estúdio.

Sombras da noite: na TV e no cinema
Uma das opções mais acertadas do roteiro foi a não alterar a década em que Barnabas acorda e não cair na tentação de “modernizar” ou trazer para os dias de hoje a história do filme (com possíveis piadinhas sobre facebook e outras modernidades). Ao estabelecer a trama na década de 70, podemos rir dos costumes da época e acreditar mais na lógica do filme, em que hippies dividem drogas com um vampiro sem perceber que há algo de errado.

Se na história há falhas, não podemos reclamar do elenco estrelar que Burton arrumou dessa vez. Michelle Pfeiffer e Eva Green roubam a cena, aproveitando ao máximo os momentos em que aparecem. Michelle disse que chegou a implorar para voltar a trabalhar com o diretor, depois de criarem a mulher gato icônica (e insuperável) de Batman - O Retorno. Aqui, ela está confortável como a matriarca da família, a mulher bela e forte capaz de lutar quando necessário. Já Eva Green prova que pode fazer do mundo de Burton, ao criar uma vilã sensual na medida certa: irresistível e odiosa, linda e repulsiva, cruel e divertida. Já o grande Depp parece que finalmente se livrou dos trejeitos de Jack Sparrow e se entrega em uma performance divertida e carismática.

Eva e Michelle roubam a cena
Como de costume, o visual chama atenção com a direção de arte e figurinos impecáveis. Há todo o colorido dos anos 70, com o estilo gótico recheado de referências do diretor. Barnabas parece a versão romântica de Nosferatus, enquanto a bruxa Angelique remete ao sucesso A Morte Lhe Cai Bem. Os efeitos especiais parecem propositalmente bem marcados e datados, para aumentar o tom de sátira e não dar o mínimo de veracidade na história. Há também os elementos recorrentes de Burton, como as árvores retorcidas, jovens loiras indefesas e a aquela cena em que Victoria deve passar pelo portão da mansão, logo no ínicio, que faz um paralelo com Edward, Alice e no próprio Batman: é necessário atravessar aquela barreira para entrar no mundo da fantasia, do sobrenatural. Também não deixa de ser divertido ver uma rápida participação de Christopher Lee, o Drácula, conversando com o vampiro Barnabas.

Recebido com relativa frieza pela crítica (que demonstra muita má vontade com o diretor depois de Alice) e com resultados mornos nas bilheterias, Sombras da Noite deverá se tornar um filme menos lembrado na carreira de Burton. Pode até não ser uma obra perfeita, mas demonstra que as parcerias do cineasta ainda rendem personagens interessantes, visuais arrebatadores e vampiros que bebem sanguem e queimam ao sol, como devem ser. Agora, resta torcer para que Frankenweenie, animação que Burton lançará nesse ano, seja uma obra-prima e cale novamente todas as críticas que se tornaram tão comuns. Em Burton eu ainda confio!

4 de maio de 2010

Vampiros na Cultura - Parte IV (Crepúsculo)

Goste ou não, Crepúsculo é um sucesso. A trama escrita por Stephennie Meyer gerou 4 livros, uma série de filmes e dezenas de produtos relacionados. Parece que tudo que tenha o nome “Crepúsculo” é sinônimo de vendas e desejo de consumo de inúmeros fãs pelo mundo. A saga segue o rastro de outra série de livros que abordava universos sobrenaturais paralelos a realidade: Harry Potter.
Na história, a adolescente Bella se apaixona perdidamente pelo vampiro centenário Edward Cullen. Esse relacionamento terá várias dificuldades, principalmente pelo perigo constante que Bella corre ao se relacionar com um sugador de sangue. Narrado em primeira pessoa pela protagonista, vamos aos poucos conhecendo mais sobre os vampiros criados por Stefanny.

A autora tenta seguir a linha de Anne Rice, colocando os vampiros como seres belos e sábios, que mais seduzem do que amedrontam. Stephenie também tenta dar maior complexidade aos seus vampiros, com discussões sobre a alma, morte de inocentes, etc. Entretanto, tudo em Crepúsculo parece terminar em romance. Há muito choro, declarações de amor eterno e dramas adolescentes sobre a família, relacionamentos e amizade. Além disso, os vampiros da família Cullen fogem de várias “regras” vampirescas estabelecidas desde Drácula, parecendo uma família "vegetariana" cercada por vampiros malignos que se comportam como... vampiros?!

Romance Proibido: a humana Bella e o vampiro Edward
Os filmes da “Saga Crepúsculo” foram fundamentais para a consolidação desse fenônemo de vendas, que levou o casal protagonista para as capas de dezenas revistas adolescentes. Não que os filmes sejam perfeitos, mas nota-se uma evolução nos longas da série. Com a estréia do terceiro filme da saga, Eclipse, marcada para o meio desse ano, Crepúsculo não deve cair tão cedo no esquecimento.

Stephennie declarou que um sonho a inspirou a escrever o livro (assim como Bram Stocker) que tornou-se sucesso e trouxe os vampiros de volta aos centros de discussões. Há ainda muito o que se sonhar e escrever sobre os vampiros, que fizeram, fazem e farão parte da cultura por muitos anos.

Afinal, vampiros são imortais...  

1 de maio de 2010

Vampiros na Cultura - Parte III (Entrevista com o Vampiro)

Se Drácula envolveu os vampiros no clima de suspense, Entrevista com o Vampiro injetou “alma” nos sugadores de sangue. Ao invés de criaturas asquerosas ou malignas, Anne Rice explorou o conceito do vampiro belo, sedutor e recheado de questionamentos existenciais.

No livro, Louis cede uma entrevista em que conta toda sua trajetória como vampiro. Depois de ser atacado e transformado pelo vampiro bon vivant Lestat (o personagem mais famoso de Rice), Louis começa a procurar explicações sobre sua nova condição, entender em que se tornou. A trama acompanha essa obsessão de Louis através das décadas, dessa forma, vamos acompanhando a evolução do tempo do século XVIII até a década de 70.

Entrevista com o Vampiro, lançado em 1976, foi só o primeiro livro das “Crônicas Vampirescas” da autora. Nas “crônicas”, diversos vampiros e histórias fascinantes vão surgindo, formando um intrigante mosaico vampiresco. As descrições de cada época/local são muito bem feitas pela autora, conferindo verossimilhança nas tramas. Além disso, os vampiros de Anne são criaturas complexas, repletas de defeitos e qualidades. Outra característica marcante é a bissexualidade de muitos personagens, como se fossem guiados pelo desejo, não importando o sexo de suas vítimas ou companheiros.
A vampira Claudia: eternamente criança
É em Entrevista com o Vampiro que a escritora apresenta uma de suas personagens mais fascinante: a vampirinha Claudia. Transformada ainda quando criança, seu corpo permanece intacto com o passar dos anos, transtornando a personalidade da jovem. A menininha, apesar de sua crueldade e malícia, torna-se uma das personagens mais complexas de todo livro, por apresentar esse paradoxo da mulher poderosa e imortal, presa no corpo de uma criança por toda eternidade. O desfecho de Cláudia também é um dos momentos mais dramáticos da história, relacionando-se com morte da filha de Anne Rice.
A versão cinematográfica (1994) tem Brad Pitt no papel do questionador Louis e Tom Cruise como Lestat. No início, a escritora desaprovou a escalação do ator, mas depois cedeu elogios a atuação de Cruise. Kirsten Dunst, que posteriormente faria a namorada do Homem Aranha no cinema, ganhou até uma indicação ao Globo de Ouro por sua interpretação de Cláudia. O filme é fiel a trama do livro e rendeu boas interpretações do trio de protagonistas. Entrevista com o Vampiro é considerados por muitos como um dos melhores filmes sobre vampiro já realizado, pena que sua continuação A Rainha dos Condenados não manteve a qualidade.

25 de abril de 2010

Vampiros na Cultura - Parte II (Drácula de Bram Stoker)

Nenhum vampiro é mais famoso que o Conde Drácula. O personagem, que tornou-se sinônimo de vampiro, já apareceu em tantos filmes e produtos que muitas pessoas não conhecem a história original escrita por Stoker.

Clássico do Terror:
Criado por Bram Stoker, autor irlandês nascido em 1847, este clássico da literatura é um marco nas histórias de vampiros.Logo, Drácula tornou-se a obra mais conhecida e admirada do autor, que teve a ideia de escrever sobre vampiros após um pesadelo.

No livro, acompanhamos os relatos de Jonathan Harker, que viaja até a Transilvânia para tratar de negócios com o excêntrico Conde Drácula em seu castelo. Logo, o inglês percebe que seu anfitrião esconde segredos assustadores e pode nem ser humano. Este é só o início de uma história envolvente que terá muitas reviravoltas e suspense até o derradeiro confronto com o vampiro.

O livro trabalha a descoberta da verdadeira identidade do Conde de maneira gradual e aposta no clima de suspense. Dessa forma, pequenos indícios como a excessiva palidez, os dentes caninos afiados, os hábitos noturnos, entre outros, vão aparecendo ao longo da historia até que tenhamos certeza que Drácula não é humano, mas uma criatura maligna.

Drácula fora das páginas:
Bram Stocker se inspirou em um personagem real para criar sua história: o monarca Vlad Drácula. O governante da Transilvânia era conhecido pela crueldade, principalmente por empalar seus inimigos. Atualmente, o castelo do Drácula tornou-se um ponto turístico muito visitado e desperta a imaginação dos turistas.

Vlad Drácula original e Gary Oldman no papel do vampiro.
Drácula já protagonizou inúmeros filmes de terror, ação (como Blade III) e até comédias que satirizavam o personagem, como em “Drácula – Morto, mas feliz” com Leslie Nielsen no papel principal. Entre todas as versões, a mais fiel ao livro é Drácula de Bram Stoker dirigido por Francis For Coppola e com Gary Oldman no papel do vampiro que aterroriza Londres. Destaque para o visual deslumbrante do filme, que trabalha muito bem o clima de suspense presente em todo o livro.

* Alguns dados presentes no texto foram retirados do livro Drácula – O Vampiro da Noite de Bram Stoker - editora Martin Claret.

21 de abril de 2010

Vampiros na Cultura - Parte I (O Mito)

A Lua está cheia e ilumina os vultos que se movem rapidamente na noite. A cortina balança lentamente com uma brisa que vem de fora da janela. Das sombras do quarto, surge uma criatura pálida e silenciosa. Ele caminha lentamente até se aproximar de sua vítima, uma jovem que está dormindo tranqüilamente. Ao tocar no pescoço da vítima, os afiados dentes ficam expostos e uma expressão de desejo e maldade surge em sua pálida face de vampiro. Ele finca seus dentes no pescoço da bela mulher. Um grito de dor ecoa pela noite...

Essa cena pode ser presenciada em diversos filmes que abordaram o mito dos vampiros. Tema dos mais variados filmes, livros, músicas (como Doce Vampiro de Rita Lee), videogames e até mesmo novelas (Vamp e O Beijo do Vampiro, exibidas pela Globo), os vampiros estão moda nesses últimos anos, graças a série de livros e filmes da saga Crepúsculo e a série de televisão True Blood. Principalmente entre os adolescentes, os vampiros vivem um momento de popularidade, com diversos produtos sendo lançados.

Engana-se quem pensa que os vampiros são criações recentes da cultura popular. Na verdade, o mito do morto que levanta da tumba para aterrorizar e beber sangue dos vivos é muito antiga e aparece nas culturas de diversos locais diferentes como na Índia, Grécia e no Leste Europeu, com algumas diferenças entre elas. No geral, o vampiro é um morto que sai de sua tumba durante a noite para se alimentar de sangue. Segundo as lendas, as maneiras mais eficientes de se matar um vampiro é cortando sua cabeça ou arrancando seu coração. 

Três obras literárias refletem a evolução do mito do vampiro através dos tempos: Drácula de Bram Stoker (de 1897), Entrevista com o Vampiro de Anne Rice (de 1976) e o recente Crepúsculo (de 2005). Nas próximas postagens, mais análises sobre cada uma dessas obras.