8 de dezembro de 2010

O Domínio da Disney

Branca de Neve e os Sete Anões foi o primeiro longa metragem de animação da história e marcou o estilo e domínio da Disney nas produções de animações por décadas. O poder “disnéico” é tão grande que transformou histórias clássicas da literatura infantil, como Cinderela e A Bela Adormecida em desenhos inesquecíveis e que se tornaram referências por gerações. 

Branca de Neve, Cinderela, Bambi, Dumbo, Mogli e A Bela Adormecida foram as animações “clássicas” do período em que Walt Disney comandava as produções das animações. Essas animações estabeleceram o padrão disney: histórias clássicas, pesonagens carismáticos, muitas músicas, vilões inesquecíveis e histórias que sempre trazem uma lição de moral sobre família, amizade e amor.

Depois da morte do criador do Mickey, as grandes animações deram uma pausa e só voltariam  a ter relevância  com A Pequena Sereia.  A animação da sereia ruiva iniciaria uma “época de ouro”, em bilheteria e crítica, nas animações da empresa, que lançaria em sequência  A Bela e Fera (única animação tradicional que concorreu ao Oscar de Melhor Filme), Aladdin e O Rei Leão. 
 
Com a vontade de concorrer novamente ao Oscar de Melhor Filme, a Disney muda o rumo de suas animações e aposta em histórias mais dramáticas e próximas da realidade, como Pocahontas (com um dos finais mais tristes da história da Disney) e o gótico O Corcunda de Notre Dame, que contava até com temas polêmicos como desejos reprimidos e perseguição religiosa. Depois de tanta seriedade (e queda nas bilheterias)  a Disney apostou novamente em histórias clássicas com novas roupagens, como Tarzan, Mulan e Hércules.

Nos Anos 00, depois do avanço da animação digital e o crescimento da Pixar, as animações tradicionais desse período estão longe de se tornarem clássicos e perdem a preferência da criançada e não conquistaram boas bilheterias ou críticas, como Atlantis, Planeta do Tesouro e Nem que a Vaca Tussa. Lilo & Stich é o único filme desse período que merece destaque. Na tentativa de voltar ao sucesso do passado, a empresa começa a apostar em animações digitais como Selvagem e A Família do Futuro e abandona as animações tradicionais por um período.

A Princesa e Sapo marcaria o retorno da empresa para a animação tradicional e a primeira protagonista negra da Disney. Os próximos lançamentos da empresa prometem seguir a antiga fórmula de adaptar uma história clássica com Enrolados uma nova versão da clássica história de Rapuzel, a jovem que é trancada em uma torre e joga suas tranças para ser salva.

23 de novembro de 2010

Comentário - Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias de Vanessa da Mata


Vanessa da Mata passou do anonimato para cantora popular nos últimos anos. Com um visual marcante o sucesso de músicas como “Não me Deixe Só”, “Ai, ai, ai”, “Boa Sorte” e “Amado”, a cantora parecia uma verdadeira máquina de lançar hits e temas de novelas. Mas Vanessa é mais do que isso, na verdade, ela é a cantora mais famosa da nova safra de talentos da MPB, composta por cantoras delicadas, expressivas e com estilo. O novo CD da cantora, que saiu sem muito alarde, revela que Vanessa é uma compositora e cantora que merece ser ouvida. 

Depois do bem sucedido álbum “Sim” (de onde saíram seus principais sucessos), a cantora emendou um cd/dvd ao vivo que registrava os maiores sucessos de sua carreira. O novo CD, lançado recentemente, “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” saiu meio de repente, pegando de surpresa até os fãs da cantora que esperavam material novo só no ano que vem. Apesar de aparentemente emendar um trabalho em outro, a cantora se mostra atenta aos detalhes e procura colocar seu estilo em todos os seus projetos.

É necessário esclarecer: Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias é diferente de Sim, que era bem mais “radiofônico”. Se fossemos compará-lo com outro trabalho da artista, ele lembra mais o “Essa Boneca tem Manual”. Na primeira audição, o cd pode até soar um pouco estranho, sem nenhum “hit” de fácil identificação. Ponto para Vanessa, que preferiu não repetir a fórmula e ousar um pouco mais. A verdade é que cantora mistura um pouco de tudo, estilos musicais variados e letras que vão da descrição de um bolo até críticas ao consumismo.No caldeirão de Vanessa há um pouco de tudo, mas não chega a ser uma bagunça musical.

Entre os destaques do novo CD estão “Fiu, Fiu”, divertida música sobre uma mulher que “engravidou em seus quadris” e ainda assim consegue levar cantadas “baratas” quando passa de construções. Há também a ótima “Bolsa de Grife” que faz uma reflexão sobre o consumismo como forma de escapismo, comportamento tão típico em nossa sociedade. “As Palavras” e “Te Amo” são as mais calmas e românticas, assim como “O tal Casal” a primeira música de trabalho do cd, que já está tocando nas rádios.  

Ouvir Vanessa da Mata é deliciar suas letras, que são quase confissões de uma amiga íntima, retatos do cotidiano. A cantora mistura as raízes com as antenas, criando um estilo que é regional e global ao mesmo tempo. Em suas letras, temos a nítida visão da mulher atual, que vive brigando com a balança, que leva cantada de pedreiros, vive relacionamentos sem muita definição, compra produtos de grife para se sentir melhor e não perde a delicadeza e feminilidade.

24 de outubro de 2010

Comentário - Shakira volta a origem em "Sale El Sol"

Depois da recepção morna do seu último álbum “She Wolf”, que dividiu a opinião até dos fãs, Shakira apresenta seu novo CD “Sale El Sol”, que ao contrário dos últimos lançamentos da cantora, é cantado em grande parte em espanhol. A cantora colombiana que conquistou o mundo com músicas como “Estoy Aqui”, “Whenever, Whenever” e “Hips Don’t Lie”, faz um verdadeiro retorno as “raízes” com este novo trabalho.
Esse “retorno”, entrentanto, não soa como falta de criatividade, mas como uma nova etapa da carreira da cantora e uma tentativa de recuperar o a sonoridade de seus primeiros álbuns, como “Dónde Están Los Ladrones?” e "Pies Descalzos". Já na primeira  faixa “Sale El Sol” e em “Antes de las seis”, a sonoridade nos remete diretamente as canções do ínicio da carreira da colombiana, com suas baladinhas romanticas em espanhol. 

Até mesmo o visual dessa nova “fase” está diferente das últimas produções de Shakira. Se em She Wolf ela personificou uma mulher fatal e apostava em um visual provocante em seus clipes e apresentações, nesse novo projeto, a cantora está bem mais natural e espontânea, com um visual mais simples, mas nem por isso menos bonita e interessante. 

Shakira muda seu visual de "Loba" para "Loca"
Como era de se esperar, Shakira também dá destaque as músicas mais agitadas e dançantes: temos o primeiro single “Loca” (música que inicialmente pode soar estranha, mas que rapidamente gruda na mente), a interessante Gordita e Rabiosa, uma das melhores do CD. Até Waka Waka, música que ficou conhecida na Copa do Mundo, aparece no álbum em duas versões: uma inglês e outra em espanhol. O cd só perde um pouco do brilho no meio para o fim, que soa um pouco repetitivo e sem grandes destaque, com algumas exceções.

Shakira sempre procurou trazer inovações e misturas de sonoridades em suas músicas. Seja misturando os ritmos latinos com sons orientais, ou cantando em inglês, Shakira transborda sua mistura de influências. nesse novo projeto “Sale El Sol”, além de um retorno a suas origens e um reencontro com os antingos fãs, marca um momento de  amadurecimento da carreira da colombiana.      

Sandman - O Mestre dos Sonhos

O relançamento de Sandman (Sandman – Edição Definitiva Vol I) de Neil Gaiman, é uma ótima oportunidade para começar a acompanhar as histórias do “Mestre dos Sonhos”. Diferente de grande parte dos quadrinhos, Sandman apresenta um texto repleto de citações literárias, lendas e mitos, além da originalidade do escritor britânico que ficou mais conhecido com seus livros Coraline e Stardust (ambos já viraram bons filmes). 

As diferenças com outras histórias em quadrinho começam com o próprio protagonista da trama: Sonho é um dos perpétuos, seres antigos que acompanharam a criação dos mundos, muito mais poderosos que deuses. Ele controla reino do Sonhar, lugar onde  os adormecidos sonham, e tem o poder de criar pesadelos ou bons sonhos. Nesta primeira parte da história, Sandman é raptado por uma seita e fica preso por décadas. Quando finalmente escapa, ele descobre que seu reino está praticamente destruído e que terá que resgatar seus artefatos místicos poderosos para conseguir controlar  novamente o Sonhar.

Diferentes de outras histórias em quadrinho, em Sandman não existem vilões bem definidos, como o Coringa do Batman. O mestre do sonho também não salva o mundo (na verdade, em algumas histórias ele mal aparece ou é só citado) e não há uma mocinha indefesa para ser resgatada. Sandman também não é de falar muito e parece estar sempre mal-humorado e triste. Apesar disso, a série chama a atenção com as histórias interessantes e inovadoras, que apresentam personagens fantásticos, reeleituras de mitos e algumas passagens um tanto bizarras. Também somos apresentados a interessante família dos perpétuos que inclue a Morte (uma jovem punk carismática), a andrógena Desejo, a asquerosa Desespero e o sério Destino.

Sandman tornou-se um clássico dos quadrinhos, e confirma a habilidade de Gaiman em criar personagens aparentemente diferentes, mas extremente cativantes, complexos e interessantes A revista também ajudou a acabar com a ideia de que histórias em quadrinhos e literatura adulta jamais podem estar relacionados.
Leia Sandman e tenha bons sonhos...  

15 de outubro de 2010

Katy Perry mostra seus “sonhos de adolescente” em novo CD

Katy Perry fez sucesso ao lançar uma música sobre beijar outras garotas. A cantora parecia uma pin-up moderna, com malícia e inocência na medida certa. Depois de I Kissed a Girl, ela ainda lançou outros sucessos como Hot N’ Cold e Waking Up In Vegas, todas de seu CD One Of The Boys. Muitos apostaram que a cantora não manteria o sucesso com o segundo CD depois da fama... Se fosse uma prova, Katy tiraria 10.
Teenage Dream - novo CD de Katy Perry

“Teenage Dream” é o novo CD da cantora americana que começou sua carreira cantando em igrejas. California Gurls, o primeiro single do álbum, dominou as paradas musicais por um bom tempo e ainda está tocando nas rádios brasileiras. Katy já está gravando o clipe do terceiro single, Firework, uma música sobre a necessidade de persistir e brilhar, como “fogos de artifício”.

Diferente do que alguns afirmam, Katy Perry não é a versão americana de Lily Allen, que é muito mais ácida e crítica. Katy tem uma qualidade falta em metade das novas cantoras pop: ela não se leva muito a sério. Seu humor espontâneo, muitas vezes repleto de duplo sentido, é um diferencial em suas apresentações, músicas e clipes, como no colorido clipe de California Gurls: quem mais ficaria nua em uma nuvem de algodão doce, com uma peruca roxa, enquanto canta que as garotas californianas são inesquecíveis? 

Esse CD mostra que Katy já começa a trilhar seu próprio caminho e que tem estilo suficiente para não soar como mais uma Lady Gaga. De maneira geral, Teenage Dream segue a linha do disco anterior, com músicas animadas e divertidas sobre questões da atualidade. Peacock é uma divertida música de duplo sentido, no estilo de I Kissed a Girl, e tem tudo para se tornar um grande sucesso. Outros destaques são E.T (uma das melhores músicas do CD, com um clima futurista) e a bela Pearl, sobre uma mulher que perdeu seu “brilho”.

Katy faz sucesso porque consegue transmitir sentimentos e situações que muitos jovens vivem atualmente. Em suas músicas, ela quer beijar uma garota, tem um namorado metrossexual que usa mais maquiagem do que ela, é indecisa e ainda tem tempo para se divertir com os amigos e depois ainda faz piada sobre tudo. Linda, divertida e boa cantora, Katy Perry merece realizar todos os seus "sonhos de adolescente".

Fotos - Manifestação pelo MIS de Campinas

Uma reportagem do Correio Popular divulgou que o Palácio dos Azulejos pode ser transformado em um espaço de recepções do poder executivo e o MIS seria transferido de local. O Museu de Imagem e Som de Campinas tem o objetivo de preservar e difundir a produção audiovisual de Campinas e região. No dia 25 de Setembro, o "Ato Cultural" chamou a atenção de quem passava pela Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas. O  “Ato” arrecadou assinaturas para que o museu permaneça no Palácio dos Azulejos, sua sede há quatorze anos.

Os manifestantes começaram as atividades na Estação Cultura e desceram a 13 de Maio, uma das principais rua de comércio campineiro, distribuindo panfletos e estimulando a assinatura do abaixo-assinado. Para chamar a atenção da população, a manifestação contou com faixas, cartazes e até a apresentação de um grupo de maracatu.

3 de agosto de 2010

Comentário - Alice no País das Maravilhas

Depois do sucesso nos cinemas, Alice no País das Maravilhas do diretor Tim Burton, chega em DVD e Blu-Ray. O filme apresentava os elementos perfeitos para o diretor, conhecido por lidar com universos fantásticos como em A Fantástica Fábrica de Chocolates, entretanto, apesar do sucesso, Alice dividiu opiniões até mesmo dos fãs do diretor e da história clássica da menina perdida em uma terra encantada. É bem provável que as exigências da Disney tenham restingindo algumas extravagâncias do diretor, porém, alguns elementos tão comuns em suas obras, como os personagens excêntricos e o visual rebuscado estão presentes neste filme.
Alice No País das Maravilhas é um filme sobre o fim da infância e o amadurecimento, através de provações e novas responsabilidades. O filme dá prosseguimento a tradicional história da menina que cai em um buraco e acorda em um mundo fantástico, repleto de personagens bizarros e ao mesmo tempo encantadores, portanto, conhecer a história original torna este filme bem mais interessante, apesar de não ser extritamente necessário. Logo Alice, agora adolescente, descobre que terá que lutar para libertar o País das Maravilhas do controle da cruel Rainha Vermelha.

O Mundo das Maravilhas é uma versão alternativa da própria realidade da jovem, com personagens e situações correspondentes, como as irmãs gêmeas e os irmãos Tweedley-Dee e Tweedley-Dum, ou a  "sogra" de Alice com a Rainha Vermelha, além disso, o pedido de casamento no mundo real corresponde a responsabilidade de lutar contra o dragão. Através do mundo das fantasias,  Alice pode refletir sobre sua identidade e enfrentar seus dilemas. Desta forma, em ambos os mundos, Alice deverá fazer escolhas difíceis e assumir a responsabilidade de seus atos perante a sociedade, seus amigos e família.
O País das Maravilhas é uma alteração da realidade de Alice
Outro aspecto importante do filme é a disputa da tirânica Rainha Vermelha com a delicada Rainha Branca. Com uma cabeça enorme e odiada por seus súditos, a Rainha Vermelha (em outra brilhante atuação da esposa do diretor, Helena Bohan Carter) sofre por não ser admirada, utilizando a tirania como a única forma de ser respeitada. Por baixo da aparente crueldade da rainha, na verdade, há uma pessoa amargurada e que foi traída diversas vezes, até por seus súditos mais próximos. Por outro lado, a Rainha Branca (Anne Hathaway), uma típica princesa da Diney, aparentemente indefesa e adorada pelos habitantes do País das Maravilhas, revela através de falas e sutis ações, que pode não ser tão inocente ou íntegra como imaginam. Pode-se até imaginar que Tim Burton, através da Rainha Branca e seu reino intacto, criou uma crítica à sociedade das aparências e ao eterno politicamente correto, que esconde falsidades e hipocrisias.  
A disputa entre as Rainha
O visual do filme segue o estilo de Burton, com figurinos e maquiagem impecáveis, além dos incríveis cenários (quase que totalmente criados digitalmente) que vão do colorido excessivo, até momentos quase monocromáticos como os castelos da Rainha Vermelha e da Rainha Branca, passando por elementos góticos. Os efeitos especiais e trilha sonora não deixam a desejar, como era de se esperar em uma produção da Disney. 
Mia Wasikowska está bem no papel de Alice, uma personagem difícil, uma vez que não apresenta uma característica marcante ou habilidade especial. Desta forma, os personagens coadjuvantes, como o misterioso gato ou o Chapeleiro, acabam roubando a atenção do espectador quando aparecem com a apagada Alice. Depp está novamente irreconhecível, mas não chega a ser brilhante em sua concepção do Chapeleiro, que ganhou maior destaque na trama e na divulgação do filme.  

Fãs do diretor reclamaram que faltou osadia no roteiro, que preferiu apostar em uma aventura divertida nos padrões da Disney, ao invés de explorar o conceito e personagens do mundo das maravilhas. De certa forma, o próprio desenho da Disney mostrou melhor a bizarrice do ambiente e dos personagens. Apesar das críticas, Alice no País das Maravilhas é um filme divertido, que está longe de ser uma obra-prima do diretor ou um filme perfeito, mas que merece ser conferido, nem que seja para descobrir qual a semelhença entre um corvo e uma escravaninha.